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Justiça condena Léo Derik, do Athletico, a 13 anos por dois estupros

O lateral-esquerdo Léo Derik, do Athletico, foi condenado pela Justiça de Curitiba a 13 anos de reclusão por dois crimes de estupro contra uma mulher com quem mantinha relacionamento. A sentença foi proferida na quarta-feira (12), pelo 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Curitiba.

A decisão é de primeira instância e ainda pode ser contestada. Aos 21 anos, o jogador permanece em liberdade enquanto recorre. Léo Derik nega as acusações e sustenta, desde o início do processo, que as relações foram consensuais.

O processo tramita sob segredo de Justiça e, por isso, a identidade da vítima não é divulgada.

O que foi analisado pela Justiça

A ação envolve dois episódios ocorridos em Curitiba, um em dezembro de 2023 e outro em fevereiro de 2024.

Segundo a acusação analisada no processo, no primeiro episódio a vítima teria sido impedida fisicamente de oferecer resistência durante a relação. No segundo, a denúncia aponta que o jogador teria utilizado agressões físicas para forçar a prática sexual.

A defesa apresentou uma versão diferente dos acontecimentos e afirmou que não houve violência.

Na avaliação da magistrada responsável pelo caso, entretanto, os elementos reunidos durante a investigação e a instrução processual foram suficientes para sustentar a condenação. A decisão considerou que o relato da vítima manteve consistência durante as diferentes etapas do processo.

Um ponto que chama atenção é que o Ministério Público havia se manifestado pela absolvição do jogador nas alegações finais, apontando divergências entre as versões apresentadas ao longo da ação. Mesmo assim, a Justiça chegou a uma conclusão diferente após analisar o conjunto do processo.

Pena chega a 13 anos

A sentença estabeleceu seis anos e seis meses de reclusão para cada um dos crimes. Como os fatos ocorreram em ocasiões distintas, as penas foram somadas, totalizando 13 anos de prisão em regime inicial fechado.

Além da condenação criminal, foi estabelecida uma indenização mínima por danos morais de R$ 10 mil para cada crime. Dessa forma, o valor total determinado pela Justiça chega a R$ 20 mil.

Apesar da pena estabelecida, Léo Derik não foi preso após a sentença. A própria decisão considerou que não estavam presentes, naquele momento, os requisitos necessários para determinar a prisão preventiva. Com isso, o jogador poderá aguardar o julgamento dos recursos em liberdade.

Jogador também foi absolvido de uma acusação

A sentença não condenou Léo Derik por todas as acusações apresentadas no processo.

O jogador foi absolvido da imputação de violência psicológica contra a mulher. Segundo o entendimento adotado pela Justiça, o eventual dano emocional apontado no processo estaria relacionado diretamente aos crimes de estupro e, por isso, não deveria ser considerado uma infração penal independente naquele contexto.

Athletico se manifesta sobre o caso

O Athletico foi comunicado sobre a decisão e afirmou que não irá comentar o conteúdo do processo, que tramita em segredo de Justiça.

Em nota, o clube ressaltou que a condenação ainda está em primeira instância e que existe a possibilidade de recurso. O Furacão também destacou que não participa da ação judicial e que respeitará o andamento do processo dentro das garantias legais.

Nota do Athletico:

“O Athletico Paranaense tomou conhecimento da decisão judicial envolvendo o atleta Léo Derik. Por se tratar de processo que tramita em segredo de justiça, o Clube não comentará seu conteúdo nem os fatos nele discutidos. A decisão é de primeira instância e está sujeita a recurso. O Clube não toma parte no processo e respeitará seu regular andamento, observadas as garantias legais aplicáveis até eventual trânsito em julgado.”

A defesa de Léo Derik também foi procurada para comentar a decisão e os próximos passos do processo. O espaço permanece aberto para manifestação dos advogados do jogador.

Quem é Léo Derik

Revelado pelo Athletico, Léo Derik iniciou sua trajetória no clube ainda nas categorias de base e percorreu o caminho de formação no CT do Caju.

O lateral estreou profissionalmente em janeiro de 2025, pelo Campeonato Paranaense. Desde então, passou a integrar o elenco principal e também chegou a defender a Seleção Brasileira Sub-20. O clube mantém contrato com o jogador até dezembro de 2029.

Antes do jogador, existe a vítima

Não é uma notícia que gostaríamos de dar. Muito menos de escrever. Mas, infelizmente, é uma realidade que precisa ser encarada.

O Brasil registrou 83.012 vítimas de estupro e estupro de vulnerável em 2025, segundo dados compilados a partir das informações enviadas pelos estados e pelo Distrito Federal ao Ministério da Justiça. O número representa uma média de uma vítima a cada seis ou sete minutos.

São números que, por si só, deveriam ser suficientes para mostrar a dimensão de um problema que não pode ser tratado como algo distante ou como apenas mais um caso.

E, diante de uma situação como essa, existe algo que sequer deveria entrar em discussão: a carreira do jogador.

A vítima não é o atleta. A preocupação principal não deve ser com o futuro profissional de quem foi condenado, mas com a Justiça, com a vítima e com todas as pessoas que passam por situações semelhantes.

Neste caso específico, ainda existe um processo que seguirá seu caminho através dos recursos. É preciso respeitar o direito de defesa e todas as garantias previstas pela Justiça. Ao mesmo tempo, uma condenação em primeira instância por dois crimes de estupro não pode ser tratada como algo banal ou colocado em segundo plano porque envolve um jogador de futebol.

Que a Justiça cumpra o seu papel e que, ao final de todo o processo, seja tomada a decisão que corresponda aos fatos e às provas apresentadas. E que as vítimas encontrem, dentro do possível, algum tipo de acolhimento e força para seguir em frente. Sabemos que existem feridas que não desaparecem simplesmente porque uma decisão judicial foi tomada.

Também é impossível não lamentar a forma como casos desse tipo ainda são tratados em alguns ambientes, especialmente no futebol, um meio que, apesar de todos os avanços, ainda convive com comportamentos e uma cultura muitas vezes marcados pelo machismo.

Por isso, fica também a expectativa de que o Athletico trate o caso com a seriedade que ele exige e tome as medidas que entender cabíveis diante da condenação.

No fim, é simplesmente triste ter que escrever sobre uma notícia como essa.Que as vítimas recebam toda a força possível.

E que a Justiça, acima de qualquer nome, clube ou profissão, cumpra o seu papel.

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