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Justiça dá dez dias para Palmeiras apresentar documentos da venda de Allan ao Manchester City

A Justiça de São Paulo deu prazo de dez dias para o Palmeiras apresentar documentos e informações detalhadas sobre a venda do meia-atacante Allan ao Manchester City, da Inglaterra. A determinação, assinada pela juíza Marcella Leal Restum, da 5ª Vara Cível Central, faz parte de um processo envolvendo dívidas do Figueirense, clube que tem direito a uma parcela dos valores da transferência.

O Verdão negociou o jogador em agosto de 2026 por até 40 milhões de euros, aproximadamente R$ 240 milhões na cotação da época, considerando valores fixos e variáveis. Como o Figueirense possui direito contratual a 10% do valor líquido da negociação, além de uma bonificação prevista em contrato, parte dos recursos passou a ser alvo de uma disputa judicial entre credores.

É importante destacar que o Palmeiras não é réu na ação e não está sendo acusado de irregularidade. O clube foi envolvido no processo por ser responsável pelo repasse dos valores ao Figueirense, cuja parcela está sujeita a determinações judiciais.

Justiça cobra contratos e detalhes da transferência

A decisão determina que o Palmeiras apresente a íntegra dos contratos relacionados à negociação, incluindo anexos e eventuais aditivos que esclareçam as condições de pagamento. Entre os documentos solicitados estão os acordos firmados em janeiro de 2019, quando Allan chegou ao clube, e em maio de 2025, quando o Alviverde adquiriu mais 20% dos direitos econômicos do atleta junto ao Figueirense.

Além dos contratos, a Justiça quer esclarecimentos sobre os valores recebidos do Manchester City, o montante líquido da transferência e a quantia correspondente ao percentual do clube catarinense. O Palmeiras também deverá informar a situação da bonificação de R$ 750 mil e os valores que permanecem retidos por determinação judicial.

Em informações apresentadas anteriormente no processo, o Palmeiras indicou que a transferência definitiva foi concluída em 1º de setembro, com pagamento previsto em quatro parcelas anuais. O clube também informou que o repasse ao Figueirense deve acompanhar o recebimento dos valores da negociação, conforme as condições contratuais.

Disputa envolve diferentes credores do Figueirense

A origem do impasse está em uma dívida do Figueirense relacionada a um empréstimo de R$ 3 milhões feito em 2018 pelo fundo Sport Partners. Como garantia, foram vinculadas receitas do futebol do clube, incluindo valores provenientes de transferências de jogadores. O crédito foi posteriormente adquirido pela M&F Investimentos, que busca receber o montante devido.

A empresa conseguiu a penhora de parte dos recursos que caberiam ao Figueirense na venda de Allan. No entanto, a M&F não é a única interessada no dinheiro: o Athletico-PR também reivindica valores, alegando ter recebido direitos sobre esses créditos como garantia de uma dívida do clube catarinense. Além disso, credores trabalhistas tentam assegurar o pagamento de débitos.

Diante da disputa, a Justiça determinou que os valores permaneçam retidos até que haja autorização para o pagamento. A penhora atualmente mencionada no processo está limitada a aproximadamente R$ 5,96 milhões, embora a parcela contratual do Figueirense na negociação seja superior a esse montante.

Palmeiras aguarda notificação e deve cumprir determinação

Segundo informações divulgadas pelo ge, o Palmeiras afirmou que ainda não havia sido notificado da decisão mais recente, mas que cumprirá as determinações judiciais caso seja formalmente comunicado. O clube também acompanha os processos para identificar a quem os valores deverão ser destinados, uma vez que há diferentes reivindicações sobre o mesmo crédito.

O prazo de dez dias coloca a documentação da venda de Allan no centro dos próximos passos do caso. A apresentação dos contratos e dos detalhes financeiros deverá ajudar a Justiça a esclarecer as obrigações previstas entre Palmeiras e Figueirense, sem que isso represente, por si só, uma definição sobre qual credor terá direito aos recursos.

Enquanto a disputa não for resolvida, o Verdão deverá manter os valores sujeitos às ordens judiciais, evitando repasses que possam contrariar as decisões em vigor.

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