Eliminação do Botafogo expõe crise e turbulência fora de campo sob gestão de Textor
O Botafogo de Futebol e Regatas não cumpriu o primeiro — e principal — objetivo da temporada. O clube foi eliminado ainda na fase preliminar da Copa Libertadores da América após a derrota por 1 a 0 para o Barcelona Sporting Club, no estádio Estádio Nilton Santos.
A atuação abaixo do esperado em campo teve peso no resultado, mas o cenário fora das quatro linhas aparece como fator determinante para a queda precoce do Alvinegro. Problemas administrativos, atraso salarial e dificuldades no planejamento do elenco marcaram o início de temporada sob o comando de John Textor, dono da SAF do clube.
A declaração de Alex Telles após a partida foi um retrato do momento vivido internamente. O lateral indicou que a responsabilidade pelo resultado não recai apenas sobre os jogadores, refletindo um ambiente de instabilidade que atravessa o clube desde o começo do ano.
Transfer ban e planejamento tardio
Um dos principais entraves foi o transfer ban imposto pela FIFA. A punição era conhecida internamente desde outubro, mas só foi resolvida no dia 6 de fevereiro. A demora comprometeu o planejamento da temporada e impediu que o técnico Miguel Ángel Anselmi tivesse à disposição um elenco mais robusto para a fase preliminar da Libertadores.
Com isso, reforços importantes chegaram tarde ou sequer puderam ser inscritos na competição. O volante Matías Medina, principal contratação do clube, não participou da fase. O mesmo ocorreu com Edenílson, Júnior Santos e Nahuel Ferraresi, todos contratados após o prazo de inscrição.
Além das limitações de elenco, o treinador ainda tenta implementar um sistema com três zagueiros, mas esbarra na falta de opções. Jogadores como Mateo Ponte e Newton têm sido improvisados na defesa com frequência.
A posição de goleiro também entrou em debate. As recentes atuações de Léo Linck e Neto Fernandes aumentaram a pressão, enquanto Raul ainda não teve oportunidades suficientes. A diretoria pode avaliar a contratação de um reforço para o setor.
Instabilidade nos bastidores
O transfer ban não foi o único problema extracampo. O atraso no pagamento de parte dos salários gerou insatisfação no elenco e quase resultou na saída do zagueiro Danilo Barbosa.
Nos bastidores, o ambiente também segue turbulento. A disputa societária envolvendo John Textor, Ares Management e a Eagle Football Holdings segue sem perspectiva de solução.
O momento também marcou a saída de Thairo Arruda, então CEO e um dos principais aliados de Textor dentro da estrutura do clube.
O jogo: pressão e pouca criatividade
Dentro de campo, o Botafogo ainda chegou vivo após o gol de Matheus Martins na partida de ida em Guayaquil. No entanto, logo aos sete minutos do confronto no Nilton Santos, uma falha de Léo Linck esfriou o ambiente e complicou o cenário para o Alvinegro.
A partir daí, o time demonstrou ansiedade evidente. Apesar de ter mais posse de bola e volume ofensivo, a equipe teve dificuldades para transformar as tentativas em chances claras de gol.
Anselmi iniciou a partida com Léo Linck; Vitinho, Ponte, Bastos, Alexander Barboza e Alex Telles; Newton, Montoro, Barrera e Matheus Martins. A equipe até começou com a estrutura habitual, mas aos poucos abriu mão do esquema com três zagueiros.
A primeira alteração veio aos 33 minutos do primeiro tempo, quando Mateo Ponte deixou o campo para a entrada de Joaquín Correa. O lateral cumprimentou os companheiros no banco, mas seguiu direto para o vestiário.
Na segunda etapa, Arthur Cabral entrou no lugar de Bastos para aumentar o poder ofensivo. Logo aos dois minutos, uma cobrança de falta de Alex Telles obrigou o goleiro Javier Contreras a fazer grande defesa.
Apesar das tentativas, o Botafogo seguiu pouco criativo. Arthur Cabral ainda teve uma boa cabeçada aos oito minutos e Vitinho criou outra oportunidade em chute aos 27, mas a equipe esbarrou na falta de repertório ofensivo.
A noite também foi apagada para Montoro, que deixou o campo vaiado pela torcida. No fim, o time apostou em cruzamentos constantes na área, sem conseguir furar a defesa equatoriana.
Olhar para o restante da temporada
Com a eliminação na Libertadores, o Botafogo agora precisa virar a página e reorganizar a temporada. O clube ainda terá pela frente a disputa do Campeonato Brasileiro Série A, da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana.
Mais do que ajustes táticos, o desafio do Alvinegro passa por reorganizar o ambiente fora de campo — condição fundamental para que o time volte a apresentar estabilidade dentro das quatro linhas.
