4 a 1 para o Peixe, Santos cumpre obrigação contra o fraco time da UCV
O torcedor santista que ligou a televisão nesta terça-feira sabia exatamente o que esperar. Do lado de fora do campo, um clube estrangulado por uma crise financeira crônica, que só conseguiu quitar um dos três meses de direitos de imagem atrasados poucas horas antes de a bola rolar. Do lado de dentro, a obrigação moral de vencer (e, convenhamos, tinha que vencer bem, né?) a fraquíssima Universidad Central de Venezuela (UCV).
O resultado de 4 a 1 em Valencia cumpriu o roteiro esperado. Encaminhou a vaga para as oitavas de final da Copa Sul-Americana (mas como é o Santos, nunca se sabe, né? Risos, risos… riso de nervoso), garantiu paz momentânea nos bastidores (pelo menos até o jogo de sábado) e permitiu a Cuca dar ritmo a peças contestadas pela torcida (algumas com total razão).
Mas sejamos diretos: comemorar o placar como um grande feito tático é fechar os olhos para a realidade. O Santos fez apenas o que a sua camisa exige (estamos falando de um time que já parou até guerra!) diante de um adversário que ofereceu um espaço digno de jogo de pré-temporada (foi mais fácil do que encarar o Osasco Sporting ou o União São João de Araras).
Meio-campo leve dita o tom em primeiro tempo burocrático
Desfalcado de nomes como Gabigol e Neymar, o técnico Cuca apostou em uma formação diferente. O grande acerto da escalação esteve na trinca central com Oliva, Gabriel Bontempo e Rollheiser. Diante de uma marcação frouxa e sem intensidade da UCV, os articuladores do Peixe tiveram liberdade total para dominar a bola, girar e ditar o ritmo da partida.
O Santos não começou tão bem nos minutos iniciais, mas, como o adversário era extremamente frágil, criou logo de cara uma chance que Thaciano simplesmente não poderia ter perdido. Bontempo e Rollheiser tabelaram, e o argentino tentou o passe para Miguelito. Após um desvio, a bola sobrou limpa para Thaciano, cara a cara com Schiavone, mas o atacante chutou para fora! Uma chance inacreditável.
Ainda assim, mesmo trocando passes sem grande aceleração, o gol de abertura veio naturalmente nos pés de Gabriel Bontempo. O Peixe administrou os primeiros 45 minutos com uma posse de bola quase burocrática, ciente de que a fragilidade venezuelana cobraria seu preço assim que o ritmo fosse ligeiramente elevado.

Aceleração no segundo tempo e o fim da seca dos atacantes
Na etapa final, o Santos voltou do intervalo disposto a liquidar a fatura. Aumentando a frequência das infiltrações, o segundo gol saiu em um belo lançamento de Oliva para Gabriel Menino. Escalado improvisado na lateral-direita, Menino deu opções ofensivas interessantes e balançou as redes. Mostrou que pode ser uma boa opção na lateral direita

O grande mérito do segundo tempo foi servir de laboratório para recuperar a confiança de quem precisava desencantar. Thaciano aproveitou passe de Barreal para ampliar e ainda comemorou como quem precisava urgentemente tirar a urucubaca do corpo!
Cuca fez várias alterações e, logo depois, Rony se beneficiou do erro da zaga venezuelana para fechar o quarto gol santista. Em um elenco curto e sem margem financeira para buscar grandes contratações no mercado, ver seus atacantes quebrando jejuns é o maior ganho prático que o Santos traz da Venezuela. E assim esperamos que eles continuem fazendo gols contra adversários mais difíceis (ou seja, todos os outros).
O vacilo final e a leitura que fica para a Vila Belmiro
A vitória por 4 a 1 só não foi perfeita por conta do desleixo nos minutos finais. A displicência de Moisés dentro da própria área presenteou a UCV com o gol de honra, anotado por Maicol Ruiz. Um lapso de concentração desnecessário e que irrita.
A goleada serve para amenizar a pressão sobre a diretoria e dar fôlego ao trabalho de Cuca. No entanto, o Portal da Liga analisa sem panos quentes: o placar elástico diz muito mais sobre a limitação técnica da UCV do que sobre uma grande revolução tática no Santos. O respiro na Sul-Americana é válido e importantíssimo para os cofres, mas a verdadeira prova de fogo da equipe continua sendo a regularidade e a capacidade de competir quando a exigência subir de nível.
