Santos vence o São Paulo no Morumbis com Estrela decidindo e Paredão brilhando
Quem esteve presente nas arquibancadas do Morumbis na noite do dia 2 de outubro viu de perto o clássico que escancarou uma verdade sobre o futebol moderno: nem sempre o time que domina com a bola sai com os três pontos. O Santos venceu o São Paulo por 2 a 1, em partida atrasada da 21ª rodada do Brasileirão, sem precisar dar espetáculo. Não foi um jogo bonito, tampouco uma exibição primorosa do Peixe, mas a equipe de Cuca soube ser extremamente pragmática e eficaz. Quando o futebol dentro de campo escasseou, pesou a estrela dos grandes nomes e a frieza de quem sabe aproveitar as poucas chances que se apresentam.
O sufoco inicial e a reação imediata

A partida começou com um enredo indigesto para o torcedor santista. A perda de Rollheiser pouco antes do apito inicial desarticulou o planejamento original de Cuca, que optou pela entrada de Lima. A escolha se mostrou equivocada nos primeiros 45 minutos. O Santos foi sufocado pelo rival, encontrou enormes dificuldades para criar e viu a situação se complicar com um pênalti infantil cometido por Lucas Veríssimo, convertido por Luciano.
Veja o gol pelas lentes do nosso setorista Fernando, que estava presente no estádio
Em clássicos, porém, o futebol pune quem relaxa. A resposta santista foi fulminante e veio no lance seguinte: em momento de pura iluminação, Gabigol subiu para cabecear sem chances para Coronel e empatou a partida. O gol de empate mostrou a força mental de uma equipe que recusa se dar por vencida, mesmo atuando abaixo do esperado.
As correções de Cuca e a virada no talento

No intervalo, o técnico Cuca leu o jogo com precisão e corrigiu os rumos táticos ao sacar Lima e Barreal( que estava perdido em Campo), promovendo as entradas de Gustavo Henrique e Philippe Coutinho. As alterações mudaram a cara do setor de meio-campo: Gustavo Henrique trouxe o equilíbrio defensivo que faltava, enquanto Coutinho, mesmo nitidamente sem o melhor ritmo de jogo, provou que a técnica refinada resolve partidas. Com apenas dois toques na bola, o meia se livrou da marcação e acionou Everton Cebolinha, que serviu Gabigol para assinar a virada.
A partir do segundo gol, o Peixe amaciou o ritmo e soube amarrar a partida, segurando o ímpeto dos donos da casa. Foi de uma forma agoniante, mas tinha um nome que salvou o time e ninguém esperava.
O paredão chamado Diógenes
Se Gabigol decidiu na frente, o grande responsável por garantir o resultado lá atrás atende pelo nome de Diógenes. O goleiro alvinegro protagonizou uma atuação memorável sob as traves nos seus 90 minutos em campo. Diógenes acumulou 7 defesas totais na partida, sendo 4 delas em finalizações de dentro da área, além de evitar 0.76 gols esperados contra a meta santista. O camisa 1 ainda distribuiu 4 socos para afastar o perigo, fez 1 corte aéreo defensivo. A segurança transmitida pelo arqueiro no mapa de calor da área de meta foi a espinha dorsal de um time que soube sofrer.
Veja a análise de Fernando Silveira após o jogo
De olho no topo
A quinta vitória consecutiva (feito que o clube não alcançava desde 2019) e os 20 pontos somados no returno mostram que o Santos virou a chave definitivamente.

O desempenho no Morumbis longe esteve de ser empolgante, mas futebol de pontos corridos exige resultado. Ao aliar o faro artilheiro de Gabigol à atuação impecável de Diógenes, o Peixe dá um recado claro ao campeonato: afasta de vez qualquer fantasma da parte de baixo e entra com totais méritos na briga direta por uma vaga na Conmebol Libertadores.
