Hamilton crítica F1 por decisão de reduzir corridas
Lewis Hamilton criticou a decisão da Fórmula 1 de reduzir a duração das corridas a partir de 2027. O heptacampeão defendeu justamente o movimento contrário: provas mais longas e maior exigência física.
Para o piloto da Ferrari, as corridas atuais estão menos exigentes fisicamente. Além disso, Hamilton destacou a maior durabilidade dos pneus utilizados atualmente.
F1 aprova redução na distância das corridas
A Comissão da Fórmula 1 aprovou nesta segunda-feira (21) a redução da distância máxima dos GPs a partir de 2027. A medida ainda precisa de aprovação formal do Conselho Mundial de Esporte a Motor da FIA.
Com a mudança, a distância máxima cairá de 305 km para 290 km. Dessa forma, cada corrida terá, em média, duas ou três voltas a menos, dependendo do circuito.
A decisão faz parte dos ajustes no regulamento das unidades de potência para 2027. A FIA pretende aumentar a participação do motor de combustão interna e alterar o fluxo de combustível.
Em junho, a entidade já havia anunciado uma elevação nominal de cerca de 50 kW na potência do motor de combustão. Ao mesmo tempo, o sistema de recuperação de energia terá redução semelhante.
Por isso, a alteração na distância busca adequar as corridas ao novo gerenciamento energético. Assim, as equipes não precisam ampliar significativamente a capacidade dos tanques dos carros atuais.
Além disso, a FIA decidiu modificar o protocolo para corridas interrompidas por chuva ou outros fatores. O limite de duas horas de corrida efetiva continuará válido.
No entanto, a atual janela máxima de três horas, incluindo interrupções, será substituída por um horário fixo para o encerramento da atividade. Segundo a FIA, a medida busca melhorar a experiência dos espectadores.

Hamilton critica decisão
A discussão ganhou força nesta quarta-feira (23), durante o dia de imprensa do GP do Azerbaijão. Questionado sobre a redução, Hamilton afirmou não compreender os motivos da mudança.
“Realmente não sei nada sobre isso ou sobre os motivos por trás disso. Acho que as corridas deveriam ser mais longas”, afirmou.
Segundo o britânico, as provas atuais estão menos exigentes fisicamente. Portanto, reduzir a distância representaria um movimento contrário ao que ele considera ideal para a categoria.
“Estão fisicamente mais fáceis do que nunca, então encurtá-las não faz muito sentido”, acrescentou Hamilton.
Além disso, o piloto citou circuitos extremamente exigentes, como Singapura. Hamilton também mencionou a Malásia, que retornará ao calendário da F1 em 2027.
“Queremos ver os atletas sempre no limite, tendo de realmente forçar os corpos além. É disso que se trata este esporte”, explicou.
Por fim, Hamilton reforçou sua discordância com a mudança. “Encurtar as corridas não faz absolutamente nenhum sentido para mim”, criticou.
Pneus também entram na discussão
Hamilton também questionou a necessidade de reduzir a distância diante da atual durabilidade dos pneus. Para ele, os compostos permitem estratégias menos exigentes em algumas corridas.
“Os pneus C3, C4 e C5 praticamente conseguem completar a distância da corrida inteira”, afirmou, citando os compostos disponíveis em Baku.
Além disso, o piloto destacou que a obrigatoriedade de utilizar dois tipos de pneus costuma favorecer estratégias de apenas uma parada.
“Temos muitas corridas com apenas uma parada, o que não é particularmente desafiador”, explicou.
Por isso, Hamilton defendeu uma mudança oposta à aprovada pela Comissão da F1. Segundo o heptacampeão, algumas provas poderiam ganhar mais voltas para aumentar a exigência sobre os pilotos.
“Eu pediria o oposto: corridas mais longas”, concluiu.
A Fórmula 1 volta à ação nesta quinta-feira (24), com os primeiros treinos livres do GP do Azerbaijão. A corrida acontece no sábado (26), em Baku. O circuito tem 6,003 km e 51 voltas.

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