Eliminação na Vila e lesões: Santos fica no zero a zero contra o Palmeiras
A verdade precisa ser dita sem rodeios: a única pessoa que realmente acreditava em uma zebra do Santos contra o Palmeiras nesta quarta-feira era o torcedor palmeirense adepto da superstição “anti-zika”. Qualquer santista minimamente consciente sabia do tamanho do abismo criado no jogo de ida. Reverter três gols de diferença contra uma equipe pronta e consolidada como a de Abel Ferreira exigiria algo próximo de um milagre.
Para que a utopia se concretizasse, seria necessário quebrar um tabu histórico. A última vitória do Santos sobre o Palmeiras por três ou mais gols de diferença aconteceu exatamente há 20 anos, em um marcante 5 a 1 na mesma Vila Belmiro, no dia 3 de setembro de 2006. Esperar a repetição desse feito após o desastre do primeiro duelo era se apegar a uma ilusão que o futebol raramente perdoa.
Posse sem contundência e a velha falta de poder de decisão
Se analisarmos os 90 minutos friamente, o Santos até foi superior ao Palmeiras. Teve mais controle da posse de bola, ocupou o campo ofensivo e deixou de lado a apatia vergonhosa apresentada no primeiro confronto. O Peixe demonstrou competitividade e postura de time que queria dignificar a camisa perante sua torcida.
No entanto, posse de bola sem agressividade é apenas estatística vazia. O time rodou a área adversária, trocou passes, mas esbarrou no seu maior fantasma recente: a incapacidade crônica de finalizar e tomar decisões certas no último terço do campo. Carlos Miguel quase não foi exigido em finalizações de perigo real. O Palmeiras, confortável com a vantagem construída em São Paulo, se limitou a baixar as linhas, administrar o placar e gastar o relógio sem sustos.
O erro estratégico de Cuca e o preço cobrado pelas lesões
Se a eliminação já era um roteiro praticamente escrito, o estrago do jogo de volta foi potencializado pelas escolhas da comissão técnica. A gestão de planejamento de Cuca nestes dois confrontos foi equivocada. No jogo de ida, optou por poupar peças e mexeu mal no time. Já na partida de volta, às vésperas de um confronto direto dramático contra o Internacional em Porto Alegre pelo Brasileirão, resolveu ir com força máxima.
A prudência pedia um time alternativo, recheado de garotos da base e atletas com menos minutagem. Seria uma atuação honrada, testaria novas opções e, acima de tudo, preservaria a espinha dorsal da equipe para o que realmente importa no calendário. O resultado desse risco desnecessário foi trágico: Barreal saiu no primeiro tempo com dores na coxa, Lucas Veríssimo deixou o campo com problema no tornozelo e Neymar sentiu a posterior da coxa direita, sendo substituído no intervalo.
Sem o seu principal articulador no segundo tempo, o nível técnico do time despencou, facilitando ainda mais a tarefa defensiva do adversário.
O saldo final: foco total no Brasileirão e na Sul-Americana
O Santos deixa a Copa do Brasil de cabeça erguida pelo empenho em campo, mas com um prejuízo físico e tático imenso. O técnico Cuca agora terá que “se virar” sem suas peças chave para encarar a batalha no Beira-Rio e a decisão contra o Atlético-MG pela Copa Sul-Americana.
Mais do que o placar agregado de 3 a 0 que colocou o Palmeiras nas semifinais, a noite na Vila Belmiro expôs que a falta de planejamento e a ineficiência ofensiva custam caro. Resta saber se as lições aprendidas a um custo tão alto serão suficientes para salvar o restante do ano santista.
