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RD Congo na Copa do Mundo 2026: os Leopardos voltam ao Mundial após 52 anos e sonham em surpreender

Imagem do Autor
Ulises Ruiz / AFP

Depois de mais de cinco décadas longe da maior competição do futebol mundial, a República Democrática do Congo está de volta à Copa do Mundo. A classificação para o Mundial de 2026 representa muito mais do que um feito esportivo: simboliza o renascimento de uma seleção histórica, marcada por talento, intensidade e uma trajetória cercada por dificuldades políticas e sociais ao longo dos anos.

Os Leopardos chegam embalados por uma campanha extremamente competitiva, apostando em uma geração experiente, com diversos jogadores atuando no futebol europeu. Com nomes conhecidos da Premier League e de grandes ligas do continente, a seleção congolesa quer mostrar que não está na Copa apenas para participar.

A expectativa interna é clara: superar a fase de grupos e transformar o retorno ao Mundial em uma das grandes histórias da competição.

O caminho até a classificação

Manuel Velasquez/Getty Images

A classificação da RD Congo foi construída em meio a muita pressão e jogos extremamente equilibrados. A seleção terminou atrás apenas do Senegal em seu grupo nas Eliminatórias Africanas e precisou disputar a repescagem intercontinental para garantir a vaga.

Na repescagem, os congoleses eliminaram seleções fortes e chegaram ao confronto decisivo contra a Jamaica. Em uma partida muito física e equilibrada, venceram por 1 a 0 na prorrogação com gol do zagueiro Axel Tuanzebe, garantindo o retorno à Copa do Mundo depois de 52 anos.

A classificação gerou enorme mobilização nacional. O atacante Cédric Bakambu, um dos líderes do elenco, chegou a afirmar que a vaga era também uma forma de levar esperança ao povo congolês em meio aos conflitos vividos no país.

Como joga a RD Congo

A seleção comandada por Sébastien Desabre se caracteriza por um futebol físico, intenso e muito competitivo. O treinador francês montou uma equipe extremamente organizada defensivamente e que sabe acelerar as transições ofensivas com velocidade.

Normalmente a RD Congo atua em estruturas próximas do 4-4-2 ou 4-2-3-1, utilizando muita força pelos lados do campo e apostando em atacantes móveis para explorar espaços em velocidade.

O principal ponto forte da equipe está na solidez defensiva e na intensidade sem bola. O sistema defensivo reúne atletas experientes e acostumados ao futebol europeu, enquanto o meio-campo consegue proteger muito bem a última linha. Além disso, a equipe cresce fisicamente ao longo das partidas e costuma competir muito bem em duelos individuais.

Por outro lado, existem limitações ofensivas quando enfrenta seleções que controlam mais a posse de bola. Em alguns momentos, a equipe sofre para construir jogadas contra linhas defensivas baixas e depende bastante das transições rápidas.

Mesmo assim, é uma seleção extremamente perigosa em jogos equilibrados e capaz de incomodar adversários teoricamente superiores.

Os destaques da seleção congolesa

Visionhaus/Visionhaus/Getty Images

A grande força da RD Congo está justamente na experiência internacional do elenco. Boa parte dos jogadores atua há anos em ligas importantes da Europa, principalmente na Inglaterra e na França, elevando o nível competitivo da seleção.

Entre os principais destaques da RD Congo está Cédric Bakambu, atacante do Real Betis e uma das maiores referências recentes da seleção. Com 21 gols, ele é o vice-artilheiro da história do país, atrás apenas de Mbokani. Decisivo nas Eliminatórias e na repescagem, Bakambu se destaca pela movimentação constante, ataques em profundidade e eficiência nas finalizações.

Outro nome importante é Yoane Wissa, atacante do Newcastle e jogador consolidado há anos na Premier League. Muito veloz e agressivo ofensivamente, Wissa é uma das principais armas da seleção nos contra-ataques, podendo atuar tanto pelos lados quanto centralizado.

Na defesa, Axel Tuanzebe exerce papel fundamental. Revelado pelo Manchester United, o zagueiro marcou o gol da classificação sobre a Jamaica na repescagem e lidera o sistema defensivo congolês com força física, velocidade e segurança nos duelos.

Além dele, Aaron Wan-Bissaka reforça ainda mais o setor defensivo. O lateral, conhecido por sua trajetória no futebol inglês, optou por defender a RD Congo e elevou o nível competitivo da equipe com sua intensidade, capacidade de marcação e força nos confrontos individuais.

A história da RD Congo nas Copas do Mundo

Apesar da tradição no futebol africano, a RD Congo disputará apenas sua segunda Copa do Mundo.

A primeira participação aconteceu em 1974, quando o país ainda utilizava o nome Zaire. Naquele Mundial, disputado na Alemanha Ocidental, a seleção caiu em um grupo extremamente difícil, ao lado de Brasil, Escócia e Iugoslávia, sendo eliminada ainda na fase de grupos sem marcar gols.

Mesmo com os resultados negativos, aquela equipe entrou para a história por representar um dos primeiros grandes momentos do futebol africano em Copas do Mundo.

Na derrota por 3 a 0 para o Brasil, ocorreu uma das cenas mais marcantes da história dos Mundiais. Em uma cobrança de falta brasileira, o defensor Mwepu Ilunga correu antes da batida e chutou a bola para longe.

Durante muitos anos, o lance virou meme no futebol mundial, sendo tratado como desconhecimento da regra. Porém, anos depois, ex-jogadores revelaram que a atitude estava diretamente ligada ao clima de medo vivido pela delegação, que sofria forte pressão política do governo do país na época.

Hoje, o episódio é visto muito mais como símbolo da tensão e do contexto político enfrentado pelos atletas do que como algo “engraçado”.

Veja o lance histórico: Vídeo do lance histórico de Mwepu Ilunga

Les Léopards

A seleção da República Democrática do Congo é conhecida como “Os Leopardos” (Les Léopards) porque o leopardo é um dos maiores símbolos nacionais do país e representa força, agilidade, coragem e imponência — características que a federação quis associar à equipe nacional.

O animal possui forte presença na cultura e na história congolesa há décadas. Durante o período em que o país ainda se chamava Zaire, o leopardo também era um símbolo político muito utilizado pelo governo de Mobutu Sese Seko. O próprio presidente costumava usar roupas e acessórios com estampas de leopardo, transformando o animal em uma marca de identidade nacional naquele período.

Com isso, o apelido acabou sendo incorporado ao futebol e permaneceu mesmo após a mudança do nome do país para República Democrática do Congo.

Além do apelido, o símbolo do leopardo aparece no escudo da federação congolesa e ajuda a reforçar a identidade da seleção africana. O nome “Leopardos” também combina com o estilo físico e intenso que historicamente marcou as equipes congolesas dentro de campo.

Grupo da RD Congo na Copa 2026

A RD Congo está no Grupo K, ao lado de:

  • Portugal
  • Colômbia
  • Uzbequistão

Portugal e Colômbia surgem como os principais favoritos do grupo, mas a seleção congolesa tem plenas condições de surpreender.

Até onde a RD Congo pode chegar?

EFE/Francisco Guasco

A RD Congo chega para a Copa do Mundo de 2026 como uma seleção perigosa e com potencial para fazer história ao buscar, pela primeira vez, uma classificação para o mata-mata da competição.

O grupo da RD Congo não será simples, mas os Leopardos possuem características que costumam dificultar muito jogos de Copa do Mundo: intensidade física, organização defensiva e jogadores experientes, acostumados às grandes ligas europeias. A tendência é que a equipe faça confrontos bastante equilibrados, principalmente diante de seleções de nível semelhante.

A expectativa mais realista é brigar por uma vaga no mata-mata como um dos melhores terceiros colocados da competição, embora uma classificação na segunda posição do grupo também não seja impossível. Se conseguir manter o nível competitivo apresentado nas Eliminatórias Africanas, a República Democrática Congo pode se tornar uma das seleções africanas mais incômodas da Copa.

Depois de 52 anos longe do Mundial, os congoleses retornam carregando não apenas a esperança de classificação, mas também o desejo de construir uma nova história no cenário internacional.

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