Após a notícia sobre a bombástica e recordista contratação de Lucas Paquetá, a próxima grande transferência para um clube brasileiro já entrou no tabuleiro. O Palmeiras está perto de fechar a vinda de Jhon Arias, já possuindo conversas avançadas tanto com clube, quanto com o staff do colombiano. Mas o que vêm causando polêmica não é a vinda em si, mas o valor que tem sido veiculado. A transferência do ponta custará aproximadamente 25 milhões de euros para os cofres do clube paulista e uma série de perguntas ficam na cabeça do torcedor. Mas a reflexão que trazemos é porque os clubes estão investindo tanto em cartas marcadas?
A primeira contratação da janela que corrobora com esta teoria é a volta de Gerson ao seu país, após passagem frustrada pelo velho continente. O volante já havia brilhado pelo Flamengo em duas passagens, mas escolheu tentar a sorte em clubes históricos como Marseille e Zenit. Porém, atualmente estas equipes não tem o tamanho que seu talento demonstrava exigir e sua carreira soa mais hipotética que efetiva na Europa. Tanto que, em certo ponto, sua presença na seleção brasileira não apenas foi incerta, como contestada.
Por outro lado, temos o ponta Jhon Arias. Ídolo e venerado no Fluminense, o jogador deixou o clube das laranjeiras ruma a famigerada Premier League. Porém, o que parecia ser um conto de fadas se tornou rapidamente um pesadelo. A equipe que o contratou e cedeu a camisa 10 amargou a lanterna do campeonato, com uma sequência tortuosa de empates e derrotas que basicamente definiu a temporada do Wolverhampton. Os torcedores do Wolves também começaram a cobrar o desempenho do ponta, que era irregular e não parecia o mesmo Arias dos tempos de tricolor carioca.
A escolha de voltar ao Brasil nos dois casos soa prudente para o jogador, mas a questão do valor é definitivamente interessante de se estudar. Estamos falando de dois jogadores de talentos únicos, mas que enfrentavam uma fase negativa em clubes que não ofereciam o palanque necessário para seu futebol. Desde a chegada no Zenit, Gerson parecia deslocado. E essa saída rendeu a alcunha de “mercenário” por parcela da torcida rubro-negra. Uma mancha na idolatria do jogador, que quando retornou ao país tupiniquim, fechou com outro endinheirado, o Cruzeiro, por 27 milhões de euros.
No mercado de transferências, a tendência é que o desempenho negativo precarize o valor de mercado do jogador, tornando sua (re)venda uma questão urgente, para impedir que a equipe sofra um prejuízo significativo na hora de repassar o jogador para outro clube. Porém, duas das transações que ocupam o top 3 de compras feitas por clubes brasileiros são jogadores que o valor de mercado despencou e, mesmo assim, foram vendidos por um valor acima daquele adquirido pelos europeus. Obviamente, eles tem todas as qualidades para vingarem novamente no país onde já brilharam, mas de fato, os times não parecem dispostos a investir este valor tão acentuado em jogadores novos para o cenário brasileiro. É um tanto decepcionante essa repetição.
A bagatela que foi investida precisa ser debatida, mesmo que o desempenho seja coerente, porque recentemente tivemos equipes como o Mirassol fazer um mercado conciso, barato e alcançando o 4º lugar no Brasileirão. Nem sempre o mais rico é o mais prudente e, às vezes, o valor de um jogador específico pode ser diluído em reforços pontuais mais em conta. Como dinheiro não parece ser um problema nem para o Cruzeiro, nem para o Palmeiras e nem para o já citado Flamengo, transações como essa podem parecer comuns e midiáticas, mas será que não chegou a hora de montar elencos e não estrelas?