O empate em 1 a 1 com o Cruzeiro, no Mineirão, escancarou duas verdades que podem conviver no Corinthians de Dorival Júnior: a decisão de preservar titulares é justificável, mas o futebol apresentado pelo time alternativo ficou abaixo do esperado.
Em meio a um calendário sufocante e às vésperas de uma semifinal decisiva do Campeonato Paulista, a escolha por um “mistão” faz sentido. São 42 dias de temporada, viagens longas, jogos decisivos em sequência. A gestão física é parte do jogo, e talvez seja o jogo mais importante neste momento. Dorival ironizou a maratona, mas o incômodo é legítimo: não há elenco que aguente alto nível sem rodagem.
Ainda assim, compreender a estratégia não significa fechar os olhos para o desempenho. O Corinthians sofreu cedo, teve dificuldades para neutralizar o Cruzeiro e mostrou pouca consistência coletiva, especialmente no primeiro tempo. A linha defensiva oscilou, o meio-campo pouco criou, e o ataque praticamente não existiu até as mexidas da etapa final.
Individualmente, João Pedro Tchoca foi o ponto fora da curva, e decisivo. Seguro na defesa e oportunista no ataque, marcou o gol de empate e evitou uma derrota que parecia encaminhada. Também houve melhora com as entradas de André e Dieguinho, além da assistência de Rodrigo Garro, que mostrou novamente sua capacidade de impacto mesmo saindo do banco.
A expulsão de William, ainda que prejudicial no contexto, acabou funcionando como um gatilho emocional. Com um a menos, o Corinthians competiu mais. Empatou, ganhou confiança e, por pouco, não virou. Paradoxalmente, o time cresceu quando tudo parecia se complicar.
No fim, o ponto conquistado em Belo Horizonte pode ser considerado lucro pelo contexto: time alternativo, fora de casa, cenário adverso. Na tabela, o resultado mantém o Corinthians bem posicionado no Brasileirão e, sobretudo, preserva o que realmente está em jogo nesta semana: a semifinal contra o Novorizontino.
O empate não empolga. O desempenho preocupa. Mas a estratégia aponta para algo maior. Se o planejamento resultar em classificação no Paulista, a escolha será vista como madura. Caso contrário, a atuação no Mineirão ganhará outro peso.
O Corinthians caminha no fio entre gestão e desempenho. Em Belo Horizonte, sobreviveu. Agora, precisa provar que a conta vai fechar.