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A demissão de Crespo: A cadeia alimentar é o estorvo do São Paulo?

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Foto: Marcello Zambrana/AGIF

Após o burburinho sobre a demissão de Filipe Luis, o São Paulo Futebol Clube se tornou alvo de questionamentos similares após a surpreendente demissão de Hernán Crespo. O argentino estava em sua segunda passagem e, mesmo com a eliminação frente ao Palmeiras na semis do Paulistão, apresentava evolução em seu trabalho, como uma estabilidade nos resultados tão almejada pela torcida. Porém, a calmaria nas arquibancadas não condizia com a turbulência nos bastidores. Mas afinal, o barulho era ensurdecedor mesmo, ou a diretoria de equivocou?

Para princípio de análise, resgatamos a trajetória de Hernán desde sua primeira passagem pelo São Paulo. O cenário para a sua chegada era de decepção. A equipe era comandada por Fernando Diniz e estava na ponta do campeonato, com uma diferença de 7 pontos para o segundo colocado. Mas esta gordura caiu por terra após um conflito entre o técnico e o volante Tchê Tchê durante a derrota contra o Bragantino. Este evento fez o time, que parecia destinado ao título, implodir e amarga uma quarta colocação. Sem vestiário e com a torcida penalizando Diniz pelo ato, o técnico caiu. A diretoria então apostou na chegada de Crespo, que na época não possuía uma carreira longeva.

A chegada do argentino deu um novo ânimo e logo foi agraciado com a conquista do Paulista de 2021. Para um clube com as pretensões do São Paulo, a seca de nove anos foi dolorosa e persistente. Mas a aflição teve fim e Crespo até teve frase eternizada nas dependências do clube. Porém, o que parecia o casamento perfeito logo foi se desmanchando. A equipe sofreu eliminações tortuosas na Libertadores e Copa do Brasil, além de uma campanha fraca no Brasileirão. O resultado de todas estas questões foi sua demissão. E mesmo assim, o sentimento do são-paulino era de gratidão.

Após o Crespo, vieram Rogério Ceni, Dorival Júnior, Thiago Carpini e Luis Zubeldía. Dorival e Carpini conquistaram títulos, enquanto o ídolo Rogério e o Zubeldía apenas esboçaram uma conquista. Quando o equatoriano caiu, uma parcela dos torcedores viu a volta de Hernán como precipitação. Na sua chegada, o argentino recebeu uma missão clara: salve o São Paulo de um possível rebaixamento. Mesmo com uma reta final inconsistente, Crespo conseguiu deixar a equipe em oitavo no Brasileirão. Entretanto, as eliminações na Libertadores e Copa do Brasil não permitiram sossego ao técnico e aos jogadores.

Em 2026, estoura uma bomba nos bastidores do São Paulo. Presidente impeachmado, escândalos de corrupção e uma gestão provisória fazendo de tudo para recolocar o clube nos eixos. E quando Harry Massis assume, parece que finalmente o São Paulo terá paz. Nomes como Casares, Muricy, Belmonte e Carlomagno, que eram Personae non gratae na massa de torcedores, eram cartas fora do baralho. Todos saíram, com exceção do diretor Rui Costa. E com salários em dia e uma nova organização, o futebol voltou a brilhar. Foram 8 jogos sem perder, com 7 vitórias e 1 empate. Mas a invencibilidade teve final na semifinal do Paulista contra o Palmeiras. Uma semana depois, Crespo era demitido.

Se nesta retrospectiva a demissão do Crespo pareceu inesperada, saiba que para a torcida também foi. As críticas recaíram com força principalmente sobre o diretor Rui Costa, que agiu rápido no mercado e trouxe como substituto Roger Machado. A relação de ambos se estende aos tempos de Grêmio, mas a ressalva da torcida são-paulina sobre esta decisão se dá pela escassez de títulos do novo comandante, falta de resultados convincentes e pela demissão abrupta que precedeu o movimento. Como defesa, o diretor justificou que Crespo já não tinha mais credibilidade nos bastidores, seja com diretoria ou jogadores. Além de discursos derrotistas e descansos extensos entre treinos.

E com esta retomada, vamos ao caso. A diretoria do São Paulo nunca gostou da forma como Crespo era honesto em entrevistas, expunha os problemas e se adequava a verdadeira realidade do clube. A pouca utilização da base, aliada ao fato de que o treinador era persistente em sua vontade de investir no plantel foi na contramão de dirigentes que optam por ofuscar os bastidores. O incêndio não é culpa do Hernán e a medida de contenção pareceu precipitada e amadora. O trabalho não era o melhor, mas apresentava evolução. Ademais, criou um embate desnecessário com uma torcida devota, que não merecia este susto.

A verdade é que ainda resta muito trabalho a ser feito no São Paulo. E quando tudo demonstrava uma gestão saudável dentro da instituição, uma ação instaura uma crise. Porém, Roger Machado não é o culpado e agora com o cargo em mãos, não precisa de mais rejeição. Mesmo que não tenha currículo para tal função, as atenções tem que ser voltadas para quem o trouxe. Afinal, tal qual qualquer empresa, o São Paulo tem cabeças brancas tomando as decisões. E agora, resta ao tempo declarar se os lampejos de responsabilidade em fevereiro foram efêmeros ou se esta diretoria de fato vai salvar o clube, tal qual o hino declara.


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