Nesta quarta-feira (25), o Cruzeiro empatou com o Corinthians por 1 a 1 no Mineirão, em Belo Horizonte, em partida válida pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro. Enquanto o time paulista entrou em campo com uma formação mista visando a semifinal do Campeonato Paulista, a Raposa foi com força total. O Cruzeiro abriu o placar com um belo chute de Matheus Pereira, mas cedeu o empate aos 37 minutos da etapa final, logo após a expulsão do lateral William.
O peso do segundo tempo e a tática celeste
A equipe mineira foi dominante no primeiro tempo, mas voltou a sofrer com uma queda vertiginosa de rendimento na segunda etapa. O técnico Tite manteve a escalação do jogo contra o Pouso Alegre, apostando em um quinteto no meio-campo formado por Lucas Romero, Lucas Silva, Christian, Gerson e Matheus Pereira.
Essa formação tem o objetivo de liberar os laterais para buscar cruzamentos e dar profundidade, mas, na prática, o clube celeste tem demonstrado sérias dificuldades para sustentar a intensidade física e tática nos 45 minutos finais.
Tite deve cair? A visão da SAF
O trabalho de Tite é alvo de críticas e a relação com a arquibancada segue rachada. Apesar de o time demonstrar evolução em alguns momentos, a falta de resultados positivos no Brasileirão pressiona o treinador. Sacá-lo agora seria uma medida popular entre os adeptos, mas não parece ser o caminho planejado internamente.
Desde a consolidação da SAF e a venda para o empresário Pedro Lourenço, o norte da diretoria é a profissionalização do departamento de futebol. Uma demissão precoce iria contra esse discurso de mudança na gestão. O futebol brasileiro é um moedor de treinadores competentes justamente por essa cultura de ceder à pressão imediata. A diretoria segue cobrando resultados no Brasileirão, mas mantém o foco no título mineiro, que não vem desde 2019. A presença de dirigentes na coletiva pós-jogo foi uma clara demonstração de suporte a Tite, embora esse cenário possa mudar se o desempenho não evoluir.
Raio-X do trabalho: por que a torcida cobra tanto?
Até o momento, Tite comandou o Cruzeiro em 13 partidas em 2026, acumulando 6 vitórias, 2 empates e 5 derrotas (um aproveitamento de 51,2%). O treinador levou o clube à semifinal do Mineiro com a melhor campanha e vantagem sobre o Pouso Alegre. É um trabalho em consolidação, insuficiente para justificar uma demissão sumária. Mas o que explica a impaciência da torcida?
- Desempenho em campo: Comparado ao futebol apresentado em 2025, o time atual frequentemente parece apático e sofre com apagões no segundo tempo.
- Fragilidades táticas: A defesa tem se mostrado vulnerável e o time apresenta dificuldades na criação de jogadas limpas.
- Retrospecto contra a elite: O principal calcanhar de Aquiles é o desempenho contra clubes da Série A. Em 5 jogos contra times da primeira divisão no ano, o Cruzeiro soma 3 derrotas e 2 empates. São apenas 2 pontos conquistados de 15 possíveis.
Os próximos passos
O Cruzeiro volta a campo neste sábado (28) para decidir a vaga na final do Mineiro contra o Pouso Alegre, no Mineirão. Em seguida, viaja ao Rio de Janeiro para encarar o Flamengo na quarta-feira (11). O cargo de Tite parece seguro para essa sequência decisiva, mas se as falhas persistirem e os resultados não vierem, a diretoria fatalmente precisará buscar novas soluções no mercado.