Nesta semana, tivemos os play-offs da Champions League, rodada que sacramentaria quais times avançariam para as oitavas de final, mas um dos tópicos que mais chamou atenção foi o desempenho de equipes italianas. Antes da bola rolar, a Itália possuía três competidores vivos, mas que tinham como missão se recuperar das derrotas na partida de ida. Eram eles: Internazionale, Juventus e Atalanta. E como será que se saíram?
A Internazionale jogou primeiro. A equipe teria sua torcida apaixonada impulsionando o elenco dentro do Giuzeppe Meazza, mas o modesto Bodo Glimt, da Noruega, repetiu a dose e abateu a Nerazzurri. Jens Hauge e Håkon Evjen anotaram os dois gols que tirariam qualquer possibilidade de reação vindo dos grandes favoritos. Mesmo com o gol do Bastoni, a Inter foi eliminada, perdendo na ida e na volta. Destino trágico para um plantel que chegou à última final da competição, onde foram massacrados pelo poderio do PSG.
No dia seguinte, os holofotes se voltaram para a Juventus. O Galatasaray promoveu um verdadeiro passeio na Turquia, tornando o confronto da Velha Senhora o mais desafiador. A equipe italiana precisava reverter uma margem de 3 gols e, respeitando a sua própria história, a Juventus conseguiu isso: 3×0 e prorrogação. Em outros tempos, este placar classificaria a equipe para a próxima fase pelo critério de gols fora, já que a Vecchia Signora anotou dois gols em Istambul. No tempo extra, dois gols do Galatasaray derrubaram a esperança dos Bianconeri. Resultado: adeus, Juventus.
Só restava a Atalanta. O Dortmund aplicou um 2×0 na ida e mal esperava o que o aguardaria. Scamacca, Zappacosta e Pasalic deixaram seus gols, virando no placar agregado e assustando os torcedores aurinegros. Porém, Adeyemi igualou a parada. Quando tudo se encaminhava para outra prorrogação, Bensebaini acertou o rosto do adversário na área, foi expulso, e Samardzic garantiu a Atalanta na próxima fase da tradicional Champions League.
A história destes confrontos demonstra pontos interessantes para análise. O primeiro fato a ser debatido é a ausência de favoritismo para aqueles que possuem mais tradição, títulos e repertório. O segundo fato é a eliminação categórica de 3 dos 4 times italianos na competição de forma prematura. Sendo o quarto, simplesmente, o atual campeão da Serie A Tim, o Napoli, que ficou em 30º na fase de grupos do torneio e, por isso, não chegou a disputar esta fase eliminatória.
E este momento que o futebol italiano atravessa se engloba com a dificuldade que sua seleção enfrenta nos últimos anos. Para entender o cenário, a Itália esteve ausente nas duas últimas Copas do Mundo, algo inimaginável se observada de um ponto de vista retrógrado. Mas, se debatido sobre as lentes do futebol atual, é curioso pensar que uma seleção que possui 4 títulos mundiais e ganhou recentemente uma Euro não consiga desempenhar com o grau que se espera.
O elenco não carece de opções eficientes se analisado em conjunto com seus adversários, mas, se comparados com jogadores de outrora, então a Itália será refém de uma carência geracional. Apesar de jogadores como Donnarumma e Barella figurarem entre os melhores de sua posição no planeta, parece que, quando se trata da Squadra Azzurra, não apenas o futebol apresentado é ineficaz, como o elenco não demonstra empolgação aos olhos de sua torcida e dos especialistas ao redor do mundo.
Neste momento, os italianos podem ficar de fora da sua terceira Copa em sequência e, se este cenário se concretizar, é necessário uma reformulação desde as categorias da base, até os profissionais de áreas mais técnicas. A crise está instaurada, mas não é tarde para retomar a rota. Basta coragem e um pouco de esmero, algo que a muito tempo foi perdido.