Se alguns anos atrás alguém contasse que o torcedor tricolor estaria feliz pois o Fluminense renovou contrato com Matheus Martinelli, poucos acreditariam. Hoje, consolidado, o volante de 24 anos é um dos poucos jogadores que pode dizer que já viveu de tudo pelo clube. Entretanto, apesar de uma vencedora, sua jornada no clube não começou assim.
Há anos o Fluminense é conhecido pelo desenvolvimento de jovens jogadores, através dos chamados “Moleques de Xerém”. Numa mistura de estratégia e necessidade o clube fez de suas categorias de base , principalmente desde a saída da Unimed em 2015, sua maior fonte não só de riqueza mas também de orgulho. Ao longo das temporadas diversos nomes surgiram e servem até hoje o futebol brasileiro e europeu. Mesmo assim, poucos possuem real identificação com o verde, branco e grená.
O início de tudo
Matheus Martinelli estreou pelo tricolor carioca em dezembro de 2020, em partida contra o Red Bull Bragantino. Desde então o volante jamais deixou de estar presente entre os jogadores que mais atuaram pelo clube, contudo sua trajetória foi longe de ser linear.
Apesar do bom início nas primeiras temporadas e o costume da torcida de abraçar jogadores vindos de suas categorias inferiores, Martinelli teve que lidar com a pressão desde o início. Sob a expectativa por atuações mais regulares, o volante viu outros companheiros de time, como Alexsander e André, tomarem sua frente ao longo de 2021, 2022 e 2023.
Extremamente criticado e por diversas vaiado no Maracanã, o jogador teve que superar pedidos pela sua saída a cada janela de transferências.
Montanha russa de emoções
Em meio a essa pressão da torcida, Martinelli vivia, junto ao resto do elenco, uma das maiores reviravoltas dos últimos anos no futebol brasileiro. Campeão da Libertadores em 2023, o Fluminense por pouco não foi rebaixado no ano seguinte, com praticamente os mesmos jogadores. O que parecia ser um sonho no paraíso, rapidamente, se tornou um pesadelo para jogadores e torcedores do clube.
Com mudanças na comissão técnica, no elenco e na postura de todos, o tricolor, na última rodada do campeonato, se livrou da queda para a série B e teve no volante de Xerém uma das principais razões desta permanência na primeira divisão.
Virada de chave
Após o conturbado 2024, 2025 foi um ano de afirmação. Já sem André, ex-companheiro de posição, e diversos jogadores dos anos anteriores, Martinelli passou a assumir uma posição responsável no time. Maduro e focado apenas em sua evolução, o volante foi reconquistando aos poucos a confiança de cada torcedor.
Seu grande momento aconteceu na Copa do Mundo de Clubes, onde com grandes atuações, contra times gigantes, ajudou o clube a alcançar a semifinal da competição, marcando inclusive um gol nas quartas de final contra o Al Hilal.

Desde então desconfiança e Martinelli não cabem mais na mesma frase. Desde a chegada de Luís Zubeldia, o jogador virou protagonista do time e passou a conduzir um caminho que pode levá-lo para além das memórias dos torcedores atuais. Sua trajetória, que conta com mais de 300 jogos com a camisa tricolor, caminha para a identificação e a coroação daquilo que todo torcedor quer que um jogador de Xerém se torne. Um ídolo.
Com sorte, o Fluminense terá Matheus Martinelli até 2030.