Allan deixa o Palmeiras rumo ao Manchester City: como o Verdão pode substituir a Cria da Academia?
Allan está de saída do Palmeiras. O clube acertou a venda do meio-campista ao Manchester City por até 40 milhões de euros, cerca de R$ 240 milhões na cotação atual, em uma negociação que atende a uma importante necessidade financeira do Verdão. A transferência ajuda o clube a se aproximar da meta de R$ 400 milhões estabelecida no orçamento para a venda de jogadores em 2026, mas acontece em um momento delicado para Abel Ferreira, que perde um dos principais jogadores do elenco justamente na reta decisiva da temporada.
É justamente aí que está o dilema. Financeiramente, a venda é extremamente relevante. Futebolisticamente, perder Allan no meio da temporada significa abrir mão de um jogador que Abel Ferreira utilizava em diferentes funções e que havia se tornado uma das peças mais importantes do elenco.
Uma passagem que terminou em alta
Allan chegou ao Palmeiras ainda nas categorias de base, em 2019, e percorreu praticamente todo o caminho de formação antes de ganhar espaço entre os profissionais. A estreia no time principal aconteceu em janeiro de 2025, e sua evolução foi rápida.
Pelo profissional, foram 96 partidas, nove gols e 12 assistências. Em 2026, viveu seu melhor momento: participou de 42 dos 48 jogos do Palmeiras até a negociação, sendo titular em 36 deles, com seis gols e seis assistências.

A temporada também trouxe o primeiro título profissional de Allan: o Campeonato Paulista de 2026. Ele foi um dos jogadores que participaram da campanha que terminou com o Palmeiras conquistando o 27º título estadual.
Mais do que os números, Allan terminou sua passagem valorizado pela capacidade de participar de diferentes momentos do jogo. É um jogador que consegue atacar espaços, vencer duelos individuais, pressionar, recompor e aparecer na área. Essa versatilidade explica por que Abel confiava tanto nele.
E talvez seja justamente essa característica que torne sua substituição tão complicada.
Como Abel pode montar o Palmeiras sem Allan?
Não existe, dentro do elenco atual, um jogador com exatamente as mesmas características. Por isso, a saída não precisa necessariamente ser resolvida com uma simples troca de posição. Abel pode alterar algumas peças e até modificar o comportamento do time.
Na minha avaliação, existem três caminhos principais.
- Andreas Pereira mais adiantado
Uma das possibilidades seria colocar Andreas Pereira na faixa direita, recuperando uma função que ele chegou a exercer quando chegou ao Palmeiras, em meados de 2025.
Andreas tem características diferentes das de Allan. É menos explosivo no um contra um, mas oferece algo que pode ser muito importante para o Palmeiras: controle do jogo e qualidade na construção.
Nesse cenário, Marlon Freitas e Lucas Evangelista ou Emiliano Martínez poderiam formar a dupla de volantes, enquanto Andreas atuaria mais próximo dos atacantes.
Seria uma mudança que faria o Palmeiras perder parte da velocidade e da capacidade de desequilíbrio individual de Allan, mas poderia ganhar em organização e controle da posse.
- Arias volta para a direita
Outra alternativa, talvez a mais natural do ponto de vista das características dos jogadores, seria colocar Jhon Arias novamente pela direita.
Essa é a faixa em que o colombiano se destacou durante sua passagem pelo Fluminense. Com Arias aberto pela direita, Maurício poderia ocupar o lado esquerdo, especialmente nos momentos de construção e transição.
Maurício teria liberdade para atacar os espaços por dentro, enquanto Vitor Roque poderia explorar o lado esquerdo em determinados momentos, criando movimentações diferentes para a defesa adversária.
Essa opção também preservaria uma característica importante de Arias: sua capacidade de pressionar, acelerar as jogadas e participar de praticamente todos os momentos ofensivos.
Não por acaso, essa é uma das possibilidades que já aparece nas análises sobre o futuro do Palmeiras após a saída de Allan.
- Felipe Anderson ganha espaço
A terceira possibilidade seria manter o Palmeiras mais próximo da estrutura utilizada atualmente e promover Felipe Anderson ao time titular pela direita.
O jogador não possui a mesma característica de Allan, principalmente na intensidade defensiva, mas oferece qualidade técnica e capacidade de aproximação.
Felipe pode funcionar melhor em um modelo no qual tenha liberdade para sair do corredor, participar da construção e criar superioridade pelo meio.
O problema é que, para isso funcionar, o Palmeiras precisaria compensar defensivamente a posição. Allan oferecia justamente essa capacidade de atacar e defender durante os 90 minutos.
O problema é que Allan não tem um substituto direto
Esse é o ponto central da discussão. O Palmeiras pode encontrar uma solução coletiva para a saída de Allan, mas dificilmente encontrará dentro do elenco alguém capaz de reproduzir todas as funções que o jovem exercia.
A própria característica do jogador explica isso. Allan não era apenas um ponta ou meia de velocidade. Ele conseguia participar da construção, pressionar, atacar espaços, recompor e ainda aparecer para finalizar.
Abel, portanto, terá de decidir o que pretende ganhar e o que aceita perder.Com Andreas, o Palmeiras ganha controle. Com Arias pela direita, ganha profundidade e capacidade de criação pelos lados. Com Felipe Anderson, ganha aproximação e técnica.
Mas nenhum dos três entrega exatamente o mesmo pacote.
Uma venda que divide opiniões, mas reforça a força da base
A saída de Allan inevitavelmente divide a torcida. Existe o argumento de que a saúde financeira do clube precisa ser preservada e que uma proposta de até R$ 240 milhões por um jogador de 22 anos é difícil de ignorar. Principalmente quando a negociação ajuda o Palmeiras a se aproximar de uma meta financeira estabelecida no planejamento da temporada.
Do outro lado, existe uma preocupação legítima: como abrir mão de um dos melhores jogadores do elenco em agosto, com o time disputando três competições?
A questão não é simplesmente vender ou não vender. É entender o momento da venda. Allan estava em alta, era titular e tinha características importantes para o modelo de Abel. A saída acontece justamente quando o Palmeiras entra na parte mais decisiva da temporada.
Ainda assim, existe um aspecto que o clube pode comemorar. Allan é mais uma prova da força da formação palmeirense. A lista recente impressiona: Estêvão, Endrick, Vitor Reis, Luis Guilherme e agora Allan são exemplos de jogadores formados pelo clube que se transformaram em negociações milionárias para o futebol europeu.
O Palmeiras perde um jogador importante, mas demonstra novamente que sua categoria de base deixou de ser apenas uma fonte de talentos para o futuro. Ela também se tornou um dos pilares esportivos e financeiros do clube.
