Corinthians cria, desperdiça e paga caro contra o Cruzeiro
O Corinthians deixou escapar uma boa oportunidade no Campeonato Brasileiro. A derrota por 2 a 1 para o Cruzeiro, neste domingo, na Neo Química Arena, impediu o time de se aproximar do G5 e deixou uma sensação incômoda: pelo que produziu durante boa parte da partida, dava para sair com mais.
O problema é que jogar bem não basta quando falta eficiência.
Um ataque que produziu pouco quando mais importava
O Corinthians teve volume, ocupou o campo ofensivo e encontrou espaços, principalmente no primeiro tempo. Faltou transformar esse domínio em algo realmente perigoso. Quando as oportunidades apareceram, o ataque esteve pouco inspirado.
Pedro Raul teve dificuldades para ser decisivo. Kaio César também não conseguiu aproveitar as situações que recebeu. Garro, mais uma vez, foi quem mais tentou dar criatividade ao setor e chegou perto ao acertar a trave.
Não foi uma atuação em que o Corinthians simplesmente assistiu ao adversário jogar. Muito pelo contrário. O time de Fernando Diniz teve momentos interessantes, competiu e conseguiu controlar o Cruzeiro durante boa parte do confronto. Só que existe uma diferença enorme entre chegar ao ataque e machucar o adversário. E o Corinthians ainda sofre demais para atravessar essa distância.
O gol de Gustavo Henrique, em um belo voleio, devolveu o time à partida. Curiosamente, porém, foi preciso um zagueiro para encontrar a finalização que faltava aos homens de frente.
O cansaço também cobrou seu preço
É preciso colocar outro elemento nessa conta. O Corinthians vinha de uma viagem desgastante para Rosario e teve pouquíssimo tempo para recuperar os jogadores. Fernando Diniz praticamente repetiu a equipe titular, mesmo com uma decisão de Libertadores logo pela frente.
E o peso disso apareceu.
Conforme o segundo tempo avançou, o Corinthians perdeu intensidade. As substituições também diminuíram o nível da equipe, enquanto o Cruzeiro fez o movimento contrário: começou com uma formação alternativa e ganhou qualidade ao colocar alguns de seus principais jogadores em campo.
O jogo mudou justamente aí.
Não significa que o desgaste explique sozinho a derrota. Também não pode servir de desculpa para os erros. Mas ignorá-lo seria analisar a partida pela metade. O Corinthians tentou manter o ritmo mesmo com um elenco fisicamente castigado e, quando as pernas começaram a pesar, perdeu parte do controle que havia construído.
O Cruzeiro soube aproveitar. Foi mais eficiente e encontrou o segundo gol na reta final, justamente quando o Corinthians já não conseguia sustentar a mesma intensidade.
Para quinta-feira, jogar bem não será suficiente
A derrota deixa o Corinthians na nona colocação, com 32 pontos, e encerra a possibilidade de entrar no G5 nesta rodada. Mas o Brasileiro rapidamente precisa ficar em segundo plano.
Na quinta-feira, contra o Rosario Central, a margem para desperdício será muito menor.
Depois do empate sem gols na Argentina, o Corinthians precisa vencer na Neo Química Arena para avançar às quartas de final da Libertadores. E talvez a partida contra o Cruzeiro tenha deixado o principal alerta possível antes dessa decisão.
O desempenho não foi ruim. Em vários momentos, foi até positivo. O Corinthians competiu, criou e mostrou organização apesar do desgaste. Mas futebol também é transformar superioridade em gol.
Contra o Cruzeiro, faltou isso.
Na quinta, não pode faltar.
