A Copa do Mundo é um evento grandioso, que todos os aficionados por futebol esperam de quatro em quatro anos. Trata-se de um dos maiores eventos esportivos, uma grande festa entre nações que promove a união dos povos através do futebol.
Mas, em um mundo com inúmeros conflitos e problemas geopolíticos, é inevitável que essas questões não se reflitam dentro de campo. Na atual edição, algumas situações desagradáveis já aconteceram, mostrando que muitas autoridades não se importam e nem respeitam o propósito do torneio.
Por falar em autoridades e situações desagradáveis, podemos citar algumas delas, a começar pelo caso do juiz somali Omar Abdulkadir, que acabou sendo deportado. O presidente da FIFA, o ítalo-suíço Gianni Infantino, lamentou a ausência do árbitro, impedido de ingressar nos Estados Unidos após ser barrado no aeroporto de Miami.
Infantino também destacou que a FIFA é uma organização esportiva e que não tem poder para interferir ou ditar regras migratórias. Durante uma conferência de imprensa, o mandatário pediu que os críticos e a mídia “relaxem e mantenham a calma”, explicando que não se trata de inércia, mas que a entidade trabalha fortemente nos bastidores para resolver estas situações.
Em relação aos limites de atuação, Gianni comentou: “Não somos os reis do mundo que podem mandar em governos e forças policiais”, afirmando a posição da entidade de que a segurança do país anfitrião está acima do esporte. Para finalizar, o presidente questionou os repórteres com a hipótese de o governo do Reino Unido aceitar qualquer pessoa na Copa do Mundo, comparando a ideia às exigências de vistos e às restrições que ocorrem em outros países.
A parte mais polêmica, no entanto, fica a cargo da seleção iraniana, que sofre com fortíssimas restrições impostas pelos Estados Unidos. A equipe está hospedada no México e, quando precisa ir para os Estados Unidos, o caos está montado, com a comissão técnica enfrentando sérios problemas com os vistos americanos.
Vale destacar que a competição iniciou-se em meio à desconfiança em relação à segurança e, principalmente, pela questão geopolítica. Falando em tensão geopolítica, de todos os participantes da competição, incríveis 27% estão envolvidos em alguma situação de guerra ou tensão política.
Para ilustrar este cenário, podemos citar principalmente Estados Unidos e Irã, pelas constantes tensões políticas que envolvem os dois países, com um lado sempre atacando o outro. O presidente da federação iraniana, Mehdi Taj, teve seu visto negado, e a seleção do Irã não pôde utilizar os Estados Unidos como base de treinamentos, optando pelo México para treinar.
Como se não bastassem as constantes guerras e vistos negados, o atacante Aymen Hussein enfrentou a ingrata e desconfortável situação de ser interrogado por absurdas sete horas no aeroporto de Chicago, antes de ser finalmente liberado para participar do mundial.
Para exemplificar esta tensão acentuada instaurada na competição, eis um vídeo falando sobre o delicado tema:
https://www.metropoles.com/mundo/copa-2026-27-dos-paises-no-torneio-estao-envolvidos-em-conflitos
Portanto, o lado obscuro da Copa nos mostra uma ligação extremamente forte com a política, algo que mancha a competição. Aqui está o que o juiz deportado falou sobre a situação:
https://www.youtube.com/watch?v=BcKxfe2-Yzk
Ainda de acordo com as autoridades dos Estados Unidos, o juiz foi deportado por uma possível ligação com terroristas. Por outro lado, eis aqui a festa que foi feita para receber seu herói na Somália:
https://www.youtube.com/shorts/s7Tb47HJdks
Diante deste caso de deportação, que criou uma enorme tensão e o estreitamento de relações, o governo canadense ainda tentou fazer com que o juiz apitasse no país, uma vez que as leis entre os países (EUA e Canadá) são completamente diferentes. Mas, infelizmente e para a tristeza do futebol, isso não foi possível.
Eis aqui uma opinião sobre o delicado tema: o futebol é um dos esportes mais democráticos que existem, mas mostrou uma fragilidade na atual edição da Copa do Mundo, onde o anfitrião usou situações geopolíticas e criou barreiras com bastante tom de preconceito.
Outro ponto negativo foi toda a omissão da FIFA e de seu presidente diante de todas as interferências, muitas delas abusivas, dos Estados Unidos. A entidade mostrou que visa apenas às questões financeiras e a todo o dinheiro que é direcionado a ela.
A pergunta que fica é a seguinte:
“Até quando a política vai interferir no andamento de competições tão grandiosas e ansiosamente aguardadas pelos apaixonados por futebol?”
“O que a FIFA poderia ter feito de mais enérgico nesta situação?”
“A entidade foi omissa ao respeitar excessivamente o país anfitrião?”
Autores da matéria: Luiz Fabel e Lucas Rodrigues