Botafogo vive temor por saídas após a Copa e elenco fortalece união
O Botafogo atravessa uma temporada marcada por crises financeiras e disputas políticas nos bastidores. O cenário de instabilidade é acompanhado de perto por jogadores, funcionários e empresários do elenco, que convivem diariamente com incertezas sobre o futuro do clube. Em meio ao ambiente turbulento, o grupo decidiu se unir internamente antes da pausa para a Copa do Mundo, mesmo diante da possibilidade de um desmanche após a competição.
Os problemas extracampo já impactam o elenco desde o início do ano. A ameaça de Danilo de rescindir contrato por atrasos salariais levou o clube a regularizar os pagamentos pendentes na ocasião. Pouco depois, a disputa pelo controle da SAF gerou nova tensão interna. Naquele momento, os jogadores se mobilizaram pela permanência do técnico Martín Anselmi, temendo que uma troca no comando prejudicasse ainda mais o desempenho da equipe.
O elenco chegou a realizar reuniões em apoio ao treinador argentino, inclusive com o ex-dono da SAF, John Textor, e se posicionou contra uma possível demissão. Desde então, os atletas passaram a manter um pacto de união até a parada para a Copa, evitando se manifestar publicamente sobre os problemas internos, mas acompanhando atentamente cada movimentação da diretoria.
Internamente, dirigentes tratam o período da Copa como decisivo para o futuro do Botafogo. Existe a expectativa pela chegada de investidores capazes de ajudar na reestruturação financeira do clube. Apesar disso, parte do elenco ainda demonstra desconfiança sobre a estabilidade do projeto.
Os jogadores convivem com atrasos recorrentes nos direitos de imagem. Em alguns momentos, salários em regime CLT também ficaram pendentes. Atualmente, o clube ainda deve valores referentes à imagem do mês de abril e existe a previsão de novos atrasos em maio. Além disso, há débitos com empresários de atletas, situação que dificulta negociações no mercado.
A saída de jogadores importantes já é vista como consequência direta da crise financeira. O zagueiro Barboza está próximo do Palmeiras, enquanto Savarino foi negociado com o Fluminense e Marlon Freitas também deixou o clube rumo ao Palmeiras.
Recentemente, Barboza revelou ter aconselhado Savarino a deixar o Botafogo devido à desvalorização enfrentada no clube. O defensor ainda afirmou ter recebido uma ligação da diretoria alvinegra pedindo que aceitasse a transferência.
O próximo nome cotado para deixar o elenco é Danilo. Internamente, a saída do volante após a Copa do Mundo é tratada como inevitável. A situação se agravou depois que o jogador pediu para não atuar no Campeonato Brasileiro, decisão que gerou desgaste nos bastidores. Ainda assim, integrantes da diretoria entendem que o atleta tenta preservar a possibilidade de uma transferência para outro clube brasileiro.
Considerado o principal ativo financeiro do elenco, Danilo é visto como peça fundamental para aliviar a crise econômica do clube. O Botafogo espera arrecadar cerca de 40 milhões de euros em uma eventual negociação. Nos bastidores, a transferência é tratada como uma solução positiva tanto para o jogador quanto para o clube.
O temor de um desmanche após a Copa já é assunto recorrente internamente. Uma fonte ligada ao clube resumiu o cenário com a frase: “ninguém é de ninguém”. Além de Barboza e Danilo, outros jogadores também estão no mercado. O Botafogo já sinalizou a clubes brasileiros a possibilidade de negociar atletas e, em alguns casos, estipulou valores abaixo do mercado devido à necessidade urgente de equilibrar as finanças antes da aprovação da Recuperação Judicial.
Paralelamente à crise esportiva e financeira, o clube ainda enfrenta questões jurídicas e administrativas que aumentam a instabilidade no ambiente político. A pausa para a Copa do Mundo será decisiva não apenas para definir o futuro do elenco, mas também para que a diretoria tente recuperar a credibilidade do Botafogo no mercado.
