O Atlético desperdiçou uma oportunidade de ouro de embalar na Copa Sul-Americana na noite desta terça-feira (5). Jogando no Estádio Centenário, em Montevidéu, o time comandado por Eduardo Domínguez chegou a abrir dois gols de vantagem contra o Juventud, mas viu a vitória escorrer pelas mãos nos minutos finais, terminando com o placar de 2 a 2. O tropeço mantém o Galo em situação delicada, ocupando a terceira colocação do grupo com apenas quatro pontos somados em quatro rodadas.
A partida começou com o Juventud exercendo forte pressão. Antes mesmo dos 15 minutos, o goleiro Everson já havia trabalhado de forma decisiva em duas finalizações adversárias. O Atlético suportou a pressão inicial e passou a explorar a velocidade. Natanael e Cassierra chegaram a levar perigo, mas o placar só saiu do zero aos 37 minutos da etapa inicial.
Após cobrança de escanteio de Maycon, o goleiro Sosa afastou mal de soco e a bola sobrou para Minda. Com categoria, ele finalizou de primeira, por cobertura, anotando um belo gol no Uruguai.
Segundo tempo
No segundo tempo, o Galo teve a chance de liquidar a fatura logo cedo, mas Cassierra falhou e parou em grande defesa de Sosa em um lance cara a cara. Aos 31 minutos, o Galo conseguiu o segundo gol e parecia que sairia do Centenário com a vitória. Gustavo Scarpa cobrou escanteio com precisão na primeira trave e Victor Hugo subiu mais alto que a defesa uruguaia para cabecear para o fundo das redes.
Contudo, dois minutos após o gol de Victor Hugo veio o “balde de água fria” para a torcida alvinegra. A defesa do Atlético bateu cabeça após cruzamento de Alejo Cruz, e Pablo Lago aproveitou a bobeira para diminuir. O gol deu fôlego novo ao Juventud, enquanto o Galo se encolheu totalmente em seu campo de defesa.
O castigo veio aos 42 minutos. Em nova bola alçada na área, a marcação alvinegra falhou novamente e Marcelo Pérez apareceu livre para cabecear no canto, sem chances para Everson. Nos acréscimos, o goleiro atleticano ainda precisou fazer uma defesa difícil em chute de Guerrero para evitar o que seria uma virada traumática.
Barba e suas escolhas
O empate com sabor de derrota na Sul-Americana deixa um sinal de alerta ligado não apenas pela tabela, mas pela gestão de elenco de Eduardo Domínguez. Após a partida, o Barba voltou a bater na tecla da “falta de entrega” de alguns atletas, mas as suas próprias escolhas durante os 90 minutos parecem contradizer o discurso.
Ao optar pelas entradas de Reinier, Dudu e Gustavo Scarpa no segundo tempo, Domínguez apostou em nomes que, embora tenham qualidade técnica inquestionável no currículo, não têm entregado a intensidade necessária com a camisa do Atlético. Scarpa até contribuiu com a assistência no segundo gol, mas o trio, de forma geral, pouco ajudou na recomposição defensiva e na manutenção da posse de bola quando o Juventud veio para cima.
Cobrar “sangue nos olhos” e, ao mesmo tempo, insistir com jogadores que vivem momentos de apatia técnica e física é um contrassenso que custou dois pontos preciosos em Montevidéu. Se o técnico exige entrega, precisa escalar quem, de fato, está disposto a lutar por cada centímetro de campo até o apito final.