Em jogo válido pela 5ª fase da Copa do Brasil, o Galo conseguiu a vitória em casa por 2 a 1, com gols de Renan Lodi e Cassierra; Wendel Silva descontou para o Ceará. Em uma partida marcada por puro nervosismo e tensão, o Atlético precisava dar uma resposta ao seu torcedor, e pode-se dizer que foi o que aconteceu.
O Ceará começou bem nos primeiros minutos, tentando o gol adversário e explorando a tensão evidente do time da casa. O Galo entrou com uma formação diferente dos últimos jogos, deixando Cassierra como centroavante e os meias aproximando-se mais dele.
A partir dos 20 minutos da primeira etapa, o Galo entrou no jogo e começou a empilhar chances. Bernard desperdiçou uma oportunidade na pequena área em cruzamento rasteiro de Cassierra; logo após, o próprio Cassierra chutou e o goleiro defendeu.
Como diz o ditado, “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”. Na insistência atleticana, em um lance confuso na área, Cassierra aproveitou o rebote e fez o primeiro gol. Um placar justo pelo que foi apresentado, podendo até ser mais elástico devido às chances criadas. O placar mínimo se manteve até o intervalo, com o reconhecimento da torcida, que aplaudiu a equipe.
Na etapa final, o panorama era o mesmo: o Galo pressionava em busca do segundo gol para dar tranquilidade aos torcedores. Entretanto, aos 15 minutos, Eduardo Domínguez resolveu tirar Maycon e Cassierra — que era o melhor em campo, lutando pelas bolas defensivas, fazendo o pivô e tendo suas chances — para as entradas de Hulk e Alexsander.
No minuto seguinte, pelo lado esquerdo de ataque cearense, Fernandinho achou Wendel Silva, que disparou uma bomba no ângulo de Everson, sem chances de defesa. O empate aos 20 minutos da segunda etapa trouxe uma tensão visível aos jogadores e à torcida.
Seis minutos após a primeira janela de mexidas, o técnico resolveu sacar Vitor Hugo e Dudu para as entradas de Alan Minda, que voltava de lesão, e Cuello, que havia sido poupado. Aos 28 minutos, Cuello, que entrou bem, achou Renan Lodi; o lateral ajeitou de direita e soltou uma bomba, colocando o Galo na frente: 2 a 1.
Scarpa também voltou a receber oportunidade no lugar do muito contestado Bernard.
O técnico recebeu uma sonora vaia quando tirou Cassierra e Vitor Hugo, os dois melhores da equipe. A partida seguiu para o final com uma certa tranquilidade para o Atlético, que garantiu a vantagem para o jogo da volta, no Castelão, dia 13 de maio.
Com o resultado, Eduardo Domínguez mantém sua invencibilidade e os 100% de aproveitamento na Arena MRV, com cinco vitórias em cinco jogos (São Paulo, Inter, Athletico-PR, Juventud-URU e Ceará). O jogo também contou com marcas expressivas: 70 jogos da Arena desde a inauguração e 35 jogos de Everson como titular na meta alvinegra, empatando com São Victor. Everson, aliás, foi o capitão nos 90 minutos, mesmo com a entrada de Hulk.
Polêmicas na Zona Mista
Autor do gol da vitória, Renan Lodi foi questionado na zona mista sobre um possível “racha” no elenco. O lateral negou veementemente, porém afirmou que os problemas não se limitam às quatro linhas.
“Temos que dar a resposta o quanto antes, porque a gente sabe que não vem em um momento tão bom por vários fatores, não só dentro de campo, fora também. Tem que reconhecer. Ninguém vê o que está acontecendo no dia a dia, mas, fora isso, fico muito feliz da equipe estar concentrada em dar o máximo possível e dar uma resposta imediata”, finalizou.
Como se não bastasse, Hulk também aproveitou para reclamar. Ao ser perguntado sobre o jejum de gols que já dura 15 partidas, o atacante desabafou sobre seu futuro.
“Quem sabe, quando eu sair do Galo, pela conversa que tive com quem manda, possa sair no meio do ano ou no final do ano. Quem sabe, quando eu sair, eu fale o que precisa ser falado”. Sobre pendências financeiras, comentou: “Estamos bem e focados. Os salários estão em dia. Tenho pendências, mas não vou expor ninguém. Não fiz isso em janeiro, quando me atacaram com mentiras. Mantive o respeito que este clube merece”.
Opinião
Novamente, após uma vitória, o jogo ficou em segundo plano. Mesmo mantendo os 100% com o técnico em casa, algo que deveria ser comemorado, o clima parece o de um “muro das lamentações”, com jogadores reclamando de falta de oportunidade ou jejum de gols. A entrevista de Renan Lodi escancarou problemas na gestão da SAF.
O que incomoda, realmente, é a posição de Hulk. Ele é um grande ídolo, porém não pode reclamar das chances dadas desde que o treinador assumiu. Hulk já não é o mesmo jogador que criava e finalizava com facilidade. Sua parte física, agilidade e rapidez de pensamento ficaram para trás, mas o atacante prefere lamentar a falta de oportunidades.
O fato é que o técnico precisa encontrar urgentemente uma formação sem Hulk. Além das reclamações, o atacante tem cedido contra-ataques por estar previsível em campo. Sou grato por tudo o que ele fez, mas a idade chegou para ele, que parece não querer perceber. Por outro lado, Cassierra vem pedindo passagem com dois gols nos últimos três jogos e merece continuidade. O pior de tudo é continuar falando mais do mesmo.
A pergunta que fica é, Até quando vamos falar do mesmo sem uma mudança?