O Chelsea Football Club anunciou a saída do técnico Liam Rosenior nesta semana em mais um caso de amadorismo no esporte. A trajetória do treinador a frente do clube é um dos múltiplos erros cometidos nesta temporada pela duvidosa gestão da BlueCo. O consórcio liderado pelo magnata Todd Boehly conseguiu desfazer acertos acidentais e tumultuou os bastidores de dois ativos de uma só vez. Afinal, a torcida do Strasbourg também apresentou insatisfação e este fato inflamou a discussão sobre multipropriedades no futebol. Com estes ingredientes, resta entender onde começou a avalanche que desmoronou o ano do Chelsea.
Para contextualizar, o clube de Londres começou a temporada em alta. Os comandados de Enzo Maresca conquistaram a primeira Copa do Mundo de Clubes da história e teriam dentro do elenco a esperada adição de Estêvão Willian. Porém, Boehly sentiu a necessidade de renovar a equipe, vendendo ou emprestando uma parcela considerável do plantel blue. Dentre os jogadores que foram contratados, destacam-se os nomes de Alejandro Garnacho, Liam Delap e Jamie Gittens.
O início da temporada 2025/26 foi truncado, com derrotas contra Bayer, Manchester United, Brighton e Sunderland antes de Dezembro. Entretanto, o Chelsea seguia vivo em todas as competições que disputava, mesmo apresentando instabilidade. Com risco de não classificação direta na Champions, a diretoria escolheu sacar Maresca e arriscar no cargo da equipe o jovem Rosenior. O inglês se destacou a frente do Strasbourg e já havia trabalhado com jogadores emprestados do Chelsea no último ano, como Andrey Santos. Porém, o clima esquentou na França.
Torcedores do Strasbourg acusaram a BlueCo de priorizar o gigante londrino. Para o lugar de Liam Rosenior, a empresa escolheu o também inglês Gary O’Neil. Outra bagunça consequente da ponte entre os dois clubes foi o vai e vem envolvendo o zagueiro argentino Anselmino. O promissor defensor recebeu minutos e ganhou confiança em seu empréstimo ao Borussia Dortmund, mas viu sua continuidade ser rompida pelo encerramento precoce de sua passagem na Alemanha. Anselmino iria compor o elenco do Chelsea, mas com a chegada de Liam Rosenior, Mamadou Sarr assumiu o posto e o argentino foi enviado para o Strasbourg, para compor banco.
Rosenior não mostrou gabarito para estar a frente de uma equipe da grandeza do Chelsea, além de sua vinda interromper uma passagem promissora na França. O final era premeditado: Liam caiu, tal qual Maresca. Não é de hoje que o desconhecimento, beirando o desinteresse, de Boehly afeta o desempenho das duas equipes. Enquanto Manchester City, Arsenal e Liverpool costumam dominar a Inglaterra, PSG tem uma hegemonia intocável na França, restando as beiradas para Chelsea e Strasbourg. E o tempo prova que a Copa do Mundo de Clubes não foi previsto, foi ocasional. Porém, não é o fundo do poço ainda.
Chelsea precisa urgente de um técnico que possa exercer o cargo com eficiência. A política de buscar novos talentos despreza o agora, comprando apenas potenciais. A tática falhou com Rosenior e pode condenar uma temporada seguinte caso não ocorra uma intervenção de imediato. Já o Strasbourg pode conquistar a Conference League e seguir crescendo, mas apenas se a autossabotagem de seus donos cessar. Os próximos passos são decisivos. Chegou a hora de Boehly e sua trupe demonstrarem que são profissionais, pois até agora a sua gestão de multipropriedade está mais próxima de um circo que de um empreendimento sério e coerente.