Se um time que joga com a formação 4-2-3-1 (ou 4-2-4) tem chance de ganhar, é fazendo 1 a 0 no início da partida e contando com os pontas e os contra-ataques no decorrer do jogo. O São Paulo foi a campo, em São Januário, contra o Vasco, pela décima segunda rodada do Brasileirão, com Rafael, Cédric, Alan Franco, Sabino e Enzo Díaz; Danielzinho, Bobadilla e Luciano; Lucca, Artur e Calleri e em uma boa jogada de Calleri, seguida do rebote do goleiro vascaíno, Luciano abriu o placar para o Tricolor.
Para aumentar as chances de vencer com esse esquema, o time não pode desperdiçar chances claras de gol para ampliar o placar o quanto antes. Lucca deixou Calleri de frente para o gol e sem goleiro, mas o argentino desperdiçou inexplicavelmente duas chances debaixo das traves. Esse lance já foi no início do segundo tempo e, diferente do jogo contra o Cruzeiro, em que o time abriu o placar muito cedo e ampliou rapidamente, não contou com o alinhamento dos astros para fazer o 2 a 0 contra a equipe cruz-maltina.
A partir desse momento, seguiu-se um roteiro que poderia ter sido escrito por qualquer são-paulino que vem acompanhando os jogos de Roger Machado no comando da equipe. A falta de qualidade do elenco faz o nível da equipe cair e, somado a isso, há a insistência em manter o mesmo desenho tático, mas com zero efetividade. As opções que vieram do banco de reservas, Tapia, Maik, Wendell, Negrucci e Tetê, não deveriam estar vestindo a camisa do São Paulo, nem a de nenhum clube grande da Série A. Vale ressaltar que, nesse ponto, o técnico tricolor não tem culpa nenhuma; afinal, são as peças que possui à disposição, portanto não daria para fazer melhor. Agora, a teimosia em forçar o elenco a uma convicção só acelera seu processo de demissão no São Paulo. Se nem os titulares conseguiram gerar jogadas de contra-ataque ou explorando os pontas, não seriam os reservas que teriam êxito. O São Paulo virou um time com uma defesa frágil, um meio-campo que não consegue dar suporte à defesa, muito menos criar qualquer coisa, e, para finalizar, um ataque que vive de lampejos de Luciano e Calleri.
Já está ficando cansativo repetir, mas a equipe não consegue passar jogos sem sofrer gols desde que Roger assumiu o time. Isso só aconteceu contra a Chapecoense, em sua estreia, e nos dois jogos da Sul-Americana contra times de nível de Série C. Se a partida já começa com a certeza de que a defesa será vazada, o ataque precisará criar e ser eficiente para marcar pelo menos dois gols.
Bom, o roteiro se cumpriu como planejado. O Vasco empatou em um pênalti e virou em um bate-rebate dentro da área do Tricolor. Nos dois gols, houve ameaças de reclamações dos jogadores são-paulinos, mas sem fundamento: pênalti claro e segundo gol sem nenhuma irregularidade. Sobre o pênalti, apenas um parêntese: o jogo contra o Atlético Nacional da Colômbia foi uma ilusão, a única vez em que Rafael foi bem em penalidades; é impressionante como não dá para contar com o goleiro tricolor.
Com a derrota, o time continua caindo na tabela e agora ainda terá dois jogos “em casa”, mas que não serão no Morumbi, já que, por conta de shows, o estádio não estará disponível. Os jogos contra Mirassol e Bahia devem ser em Campinas e Bragança Paulista, respectivamente. Não se vê esperança de dias melhores e, outro ponto em que volto a insistir: nunca vi um técnico com alto nível de rejeição conseguir bons resultados. Roger não tem culpa de ter sido escolhido, mas a torcida tem ainda menos culpa pelos erros da diretoria e pela escolha desastrosa que foi feita. Só nos resta esperar e torcer para que, o quanto antes, essa relação acabe e o são-paulino volte a ter ânimo para acompanhar a equipe.
Vamo São Paulo!!!