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Polêmicas e conquistas: O perfil de Ramon Abatti Abel na Copa do Mundo

Imagem do Autor
Pedro H. Tesch/Getty Images

Nesta semana, foi noticiado quais árbitros brasileiros irão compor o quadro de profissionais da arbitragem na Copa do Mundo e um dos nomes causou revolta em muitos torcedores: Ramon Abatti Abel. O catarinense coleciona polêmicas e conquistou certa notoriedade dentro do nosso campeonato caseiro, além de outros episódios em estaduais. Ramon é um nome que raramente passa despercebido em debates boleiros e a notícia de sua escalação não poderia passar batida. Então o que a FIFA viu no árbitro que o qualificou para tal honraria?

Nascido em Turvo, Ramon atualmente possui 36 anos e um currículo invejável. O catarinense já esteve presente na Copa do Mundo Sub-20 de 2023, nas Olimpíadas de Paris em 2024 e, mais recentemente, na Copa do Mundo de Clubes em 2025. Cabe o destaque as Olimpíadas, onde foi o escolhido como árbitro principal da final entre França e Espanha. O árbitro possui jogos relevantes e torneios significativos para que a escolha não seja injustificável, mas as polêmicas andam lado a lado.

A primeira aconteceu em 2022. Palmeiras e Flamengo se enfrentavam pelo Brasileirão e o catarinense foi condenado por não marcar um pênalti claro em Gustavo Gómez, que seria consequência de um empurrão de Arturo Vidal. A precipitação de Ramon ao reiniciar o jogo antes do VAR terminar a checagem enfureceu os palmeirenses, principalmente porque poderia resultar em um marcação capaz de transformar o empate de 1×1. Ainda neste ano, Fluminense recebeu o Corinthians pela Copa do Brasil e se não fosse o VAR, o clube das laranjeiras teria sido prejudicado por uma interpretação equivocada do árbitro.

O atacante colombiano Jhon Arias estava dentro da área da equipe paulistana, mas quando engatilhou um chute, recebeu uma solada do lateral Fágner, jogador estigmatizado por suas entradas violentas. Arias caiu na área e começou a pressão. Enquanto Ramon afirmava que o lance era uma disputa de bola, os profissionais na sala do VAR recomendaram a revisão, aceita pelo catarinense. Mesmo a marcação do pênalti não o isentou de críticas, já que muitos torcedores consideraram a conduta de Fágner violenta e esperaram sua expulsão, sendo contrariados por um simples cartão amarelo.

No ano seguinte, Ramon esteve presente no confronto entre Botafogo e São Paulo pelo Brasileirão. Na ocasião, o meia Eduardo do Botafogo recebeu uma entrada violenta do volante Jhegson Méndez. O equatoriano foi advertido com amarelo, enquanto os botafoguenses esperavam outra cor de cartão. Na mesma edição do torneio, novamente polêmicas em um Palmeiras e Flamengo. Desta vez, as críticas vieram da diretoria rubro-negra, que apontou duas marcações equivocadas, sendo a primeira uma não marcação de um pênalti em Éverton Ribeiro e um erro de protocolo ao anular um gol do Palmeiras em campo e mudar no VAR. Para fechar 2023, tivemos um impedimento divisivo em Atlético-MG e Botafogo.

Maurício Lemos teria dado nova origem para o gol de Diego Costa. E assim chegamos em 2024. Começando com menção a não expulsão de Hugo Moura após lance duro com Tchê-Tchê, onde o árbitro nem amarelou o atleta do Vasco, gerando a revolta dos botafguenses. E seguindo no Brasileirão, tivemos uma chuva de polêmicas no jogo válido entre Atlético-MG e Flamengo. Desde a não marcação de pênalti em Pedro após Mariano agarra-lo na área, até a rasteira de Otávio em Pulgar, considerada como lance natural por Ramon. Em lance similar a este, Allan comete pênalti em Vargas, marcado para o galo e convertido por Hulk.

Apesar de todos estes incidentes, a virada de chave quanto ao árbitro veio neste jogo: Palmeiras 2×2 Fortaleza. Flaco López foi empurrado por Titi na área, em lance similar ao não pênalti em Éverton Ribeiro. Mas neste caso, primeiro pênalti. Depois, bola bate no braço de Yago Pikachu na área e, com revisão do VAR, segundo pênalti. Para fechar, Emmanuel Martínez acertou um soco nas costas de Richard Ríos e nem cartão recebeu. Detalhe, o soco foi completamente fora de bola. Após a partida, Ramon foi afastado. E com isso, chegamos em 2025.

Palmeiras e Flamengo se enfrentavam pela 10ª rodada do Brasileirão. Desta vez, tivemos lances contestáveis para ambos os lados. Bola desviou no braço de Varela no limite entre fora e dentro da área, com Ramon confirmando o pênalti para o Palmeiras. Após Piquerez desperdiçar, foi a vez do Flamengo. Arrascaeta seguia em direção ao gol do clube paulista, quando Murilo o derrubou. Após revisão, pênalti para o clube carioca. Ingredientes adicionais seriam o Gustavo Gómez passar impune de uma entrada forte por já ter amarelo e uma não marcação de pênalti do Weverton em cima do Léo Ortiz.

Porém, foi em São Paulo e Palmeiras que as críticas incendiaram. O primeiro lance foi uma entrada grave de Andreas Pereira em cima de Marcos Antônio. O juiz considerou que Andreas acertou primeiro a bola, evitando uma expulsão direta. Mas um carrinho acidental de Allan dentro da área em cima do atacante chileno Gonzalo Tapia foi a gota d’água. Ramon estava inteiro no lance e nem optou por revisão, sendo este, talvez, o lance mais escandaloso de todos citados. Ao final da partida, mais um afastamento para Ramon Abatti Abel.

Este dossiê serve para entendermos porque o nome Ramon Abatti causa tamanha comoção ao ser citado. Por bem ou por mal, não são apenas os torneios que ele participa que se configuram como currículo. O catarinense não teria sido indicado se não houvessem qualidades marcantes em sua atuação, mas quando visto seu histórico, é natural que os questionamentos sejam acompanhados imediatamente. E Ramon tem muito o que provar, ainda mais se tratando de um palco como a Copa do Mundo, que não possui este nome atoa.

Agora, se o catarinense irá desempenhar adequadamente e passar despercebido como todo árbitro deseja, ou deveria desejar, só saberemos em alguns meses. É sempre um orgulho ver profissionais brasileiros se destacando e obtendo o reconhecimento que merecem, mas isto não os isenta de críticas, até porque os apontamentos servem para crescimento pessoal e evolução. Que estas recordações sirvam para que vejamos a melhor versão de Ramon Abatti Abel, e não aquele árbitro inseguro capaz de interromper a diversão de um espetáculo por ego.

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