O torcedor colorado voltou a respirar. Depois de um início de Brasileirão que pesava nos ombros como um inverno rigoroso em Porto Alegre, o time encontrou, enfim, um sopro de alívio. Não foi com espetáculo, nem com atuações de encher os olhos, mas foi com aquilo que o futebol mais cobra: resultado.
As vitórias sobre Santos e Chapecoense mudaram o clima. Tiraram o Inter da zona de rebaixamento, reposicionaram o time na tabela e, talvez mais importante, devolveram a confiança a um grupo que parecia carregar dúvidas a cada passe errado. Para Paulo Pezzolano, o momento representa mais do que seis pontos. É a validação de um trabalho que, segundo ele mesmo, já vinha mostrando sinais antes mesmo das vitórias aparecerem.
Há algo de curioso nesse processo. O Inter, em partidas anteriores, chegou a jogar melhor e mesmo assim saiu derrotado. Desta vez, venceu sem encantar. Como se o futebol resolvesse equilibrar sua própria balança, premiando não a estética, mas a persistência. E, no fundo, é isso que sustenta um time em um campeonato longo: a capacidade de seguir mesmo quando a bola não entra, até o dia em que ela finalmente decide obedecer.
Dentro de campo, algumas peças começaram a se firmar. Villagra assumiu o papel de volante com autoridade, dando ao time uma sustentação que há semanas parecia instável. Ao seu lado, Bruno Henrique trouxe experiência e cadência. Nas laterais, Matheus Bahia apareceu como opção confiável, compondo um sistema defensivo que, pela primeira vez em muito tempo, passou ileso contra um adversário de Série A.
E talvez esse tenha sido o maior símbolo da mudança. Não sofrer gols. Em um time que vinha sendo punido a cada pequeno erro, fechar a casinha foi quase um gesto de sobrevivência. A defesa, organizada e atenta, permitiu que o restante da equipe jogasse com menos tensão, como quem finalmente tira um peso das costas.
No ataque, a vitória sobre a Chapecoense foi construída com eficiência. Mercado, firme como sempre, apareceu no momento certo para abrir o placar. Depois, Alan Patrick, com a tranquilidade de quem entende o tempo do jogo, ampliou de pênalti e colocou o Inter em uma zona mais confortável. Não foi brilhante, mas foi seguro. E, naquele momento, ser seguro era tudo o que o time precisava.
Também houve mérito na gestão física. Jogadores preservados voltaram mais inteiros, mais intensos. Carbonero e Borré deram mobilidade, abriram espaços e incomodaram a defesa adversária. O time, que antes parecia pesado, ganhou um pouco mais de vida, ainda que longe do ideal.
Agora, a pausa da Data Fifa chega quase como um presente. Dois dias de folga e uma semana de preparação para o duelo contra o São Paulo oferecem ao Inter algo raro nas últimas semanas: tempo. Tempo para ajustar, para recuperar, para pensar. Mesmo com desfalques importantes convocados por suas seleções, o ambiente é outro.
O Inter ainda está longe de encantar. Ainda há falhas, ainda há desconfiança. Mas há também algo que parecia perdido: esperança. E, no futebol, às vezes, é exatamente ela que muda tudo.