Líder, mas sob desconfiança: São Paulo encara o Bragantino para testar o momento no Brasileirão
Domingo de Brasileirão e de um daqueles jogos que o torcedor do São Paulo olha com um misto de empolgação e cautela. O Tricolor entra em campo neste domingo, às 20h30, em Bragança Paulista, para enfrentar o Red Bull Bragantino no estádio Cicero de Souza Marques, tentando defender a liderança do campeonato após cinco rodadas. É começo de competição, claro, mas ver o São Paulo no topo da tabela sempre muda o clima da torcida e considerando que não é uma posição que o time vem ocupando com frequência nos últimos anos na principal competição do país, o torcedor começa a olhar para a tabela com mais carinho e inevitavelmente surge aquela pergunta: o time realmente se manterá nesta briga pelo título?
O momento até aqui é positivo. O time soma 13 pontos e chega com moral para esse duelo. Existe também um ingrediente emocional importante nesse confronto. Há pouco tempo, o São Paulo foi até o mesmo estádio e venceu o Bragantino no mata-mata do Campeonato Paulista, um resultado que teve um peso simbólico grande. Durante alguns anos, desde 2019 para ser mais exato, o time de Bragança vinha se tornando uma espécie de adversário indigesto para o Tricolor, mantendo um longo período sem vitória são-paulina no interior. A torcida espera que aquela vitória recente parece ter quebrado um pequeno “tabu psicológico”. Não significa que virou jogo fácil, longe disso, mas pelo menos tira aquele incômodo de enfrentar um adversário que vinha aprontando com frequência. Vencer novamente outra vez seria mais um passo para consolidar essa virada de cenário.
Dentro de campo, o São Paulo também pode ganhar reforços importantes. O lateral Enzo voltou a ficar à disposição depois de se recuperar de problemas físicos e surge como opção para o técnico Roger Machado, que ainda busca dar uma cara mais clara ao time. A tendência é que a base da equipe seja mantida e talvez até o mesmo time, naquele momento liderado por Hernan Crespo, que eliminou o Massa Bruta na Paulista se repita, com Rafael, Lucas Ramon, Alan Franco, Sabino e Enzo Diaz, Danielzinho, Marcos Antônio e Bobadilla, Lucas, Luciano e Calleri.
Mas se existe essa animação, ela vem acompanhada de um certo pé atrás. Tudo parecia caminhando bem com o antigo treinador, porém parte da torcida ainda não se recuperou do “choque”, que foi a saída inesperada e inexplicável do argentino Hernan Crespo. Há um clima incertezas e de desconfiança de como tudo seguirá a partir de agora com Roger Machado no comando. E mais: quais novas surpresas surgirão dentro e principalmente fora de campo, já que tem sido um ano inesquecível (e não de forma positiva) para os são-paulinos. A torcida realmente vive um momento de empolgação e cautela, como mencionado no início: a boa pontuação na tabela anima, mas o futebol ainda não empolga completamente, a liderança é motivo de orgulho, porém a sequência dos próximos confrontos assusta, os principais jogadores da equipe estão saudáveis e sendo decisivos, entretanto ainda não se tem segurança de quem olha para o time e vê um candidato claro a brigar lá em cima até o fim, ainda mais reforçado pela troca de comandante.
O duelo deste domingo acaba sendo mais um pequeno teste dentro desse processo. Jogar fora de casa contra um adversário que costuma ser organizado nunca é simples, mas é exatamente esse tipo de partida que começa a mostrar qual é o tamanho real de um time no campeonato. Se repetir a postura competitiva que teve no confronto recente em Bragança, o São Paulo tem tudo para sair com mais um bom resultado e continuar olhando a tabela lá de cima. E para um torcedor que passou tanto tempo esperando um time confiável, qualquer rodada na liderança já é motivo suficiente para alimentar a esperança, mesmo que, no fundo, a desconfiança ainda caminhe lado a lado com a euforia.
