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O covarde imediatismo com técnicos brasileiros no futebol

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Foto: Alexandre Cassiano

Mesmo após aplicar uma sonora e histórica goleada de 8×0 em cima do Madureira, o Flamengo optou por demitir Filipe Luís do cargo de treinador da equipe. Esta decisão, à luz dos vices recentes do técnico na Supercopa e Recopa, caminha de encontro a um terrível histórico de clubes brasileiros. Afinal, quão insegura é a vida de um técnico, principalmente brasileiro, à frente de clubes nacionais? Este caso não é isolado, mas é o pontapé para abrirmos uma discussão sobre de quem é a mão que derruba tantos técnicos no Brasil e por que este cargo dentro do nosso futebol caseiro é tão desvalorizado.

Para discorrer sobre o tema, precisamos retomar um episódio recente lamentável que ocorreu dentro de um evento organizado pela CBF. A confederação convidou Ancelotti com o intuito de homenageá-lo, visto que é o responsável por comandar nossa seleção na Copa e nos próximos quatro anos. Mas o que vimos foi dois ex-treinadores armando um papelão frente ao italiano, esvaziando a pauta sobre a falta de representatividade brasileira no cargo de técnico dentro do Brasileirão. E este resgate ao infame episódio serve para adentrarmos neste tópico, mas buscando manter a coerência.

Diferente do que disseram Leão e Oswaldo de Oliveira, a vinda de técnicos estrangeiros tem como objetivo ampliar o leque de opções, táticas e experiências dentro dos grandes clubes da primeira divisão. A chegada de Jorge Jesus é até hoje elogiada pela hegemonia apresentada em tão pouco tempo de trabalho, enquanto a contratação de Abel Ferreira mudou a atmosfera que o Palmeiras vivia, ampliando o sucesso nacional para sucesso internacional, fortalecendo a marca e criando um time cascudo. Enquanto o Botafogo viu dois portugueses tornando o time um competidor direto aos principais títulos disputados pela equipe carioca.

O problema nunca foi a chegada de estrangeiros aos altos cargos do esporte praticado no Brasil, mas sim como o nível de nossos comandantes decaiu de forma significativa. E este fenômeno fica escancarado nos clubes de menor expressão, que recorrem a nomes batidos dentro do mercado nacional para buscarem melhores desempenhos. A impressão que tal prática promove é a de que nossas opções para a posição estão saturadas, que nossos técnicos estão ultrapassados e que técnico no Brasil não tem futuro.

O Ancelotti na seleção não é um erro, é sintoma de uma formação nacional precarizada. Entretanto, temos estudiosos que surgiram na contramão a este esgotamento, se destacando por trazerem ideias novas e muitos aprendizados. Rogério Ceni, Fernando Diniz e Filipe Luís devem estar entre os nomes mais famosos desta nova categoria de técnicos promissores. Mas os três nomes já foram sacados em algum momento por descrença de diretorias em seu trabalho, o que seria normal se ignorado o imediatismo imprudente e o estigma com técnicos brasileiros.

E retomamos o caso do Flamengo, que exemplifica este mal na raiz. Nos primórdios de 2023, o Flamengo trocou um bem-sucedido Dorival Jr., campeão da Libertadores e Copa do Brasil, por um promissor Vitor Pereira. O português só foi demitido do cargo depois de 3 meses e 5 títulos perdidos. E o cenário se mostra similar. Dois meses ruins fizeram o atual campeão do Brasileirão e Libertadores ser demitido de madrugada, devido à pressão de parcela da torcida. Um despreparo de proporções incabíveis para o nível do Flamengo, ainda mais levando em conta a novela para renovar com Filipe no início do ano.

O Flamengo não é unanimidade, mas surpreende por entrar na estatística pelo grau de suas conquistas. O amadorismo no planejamento pode vir a ser custoso para os torcedores e para a temporada rubro-negro, além de favorecer esta marginalização. É uma tragédia para qualquer treinador brasileiro que sonha em ganhar melhores oportunidades dentro do próprio país e um desrespeito com um treinador que, mesmo inexperiente, demonstrou tanto apreço e entrega para seu time. O torcedor também é responsável, mas a covardia dos dirigentes aliada à sua displicência é o ponto fatal e imutável deste lamentável acontecimento.

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