Nesta sexta-feira (21), o Cruzeiro venceu o Pouso Alegre por 2 a 1 no primeiro confronto da semifinal do Campeonato Mineiro de 2026. Atuando no Manduzão, no Sul de Minas, a equipe celeste impôs seu ritmo, abriu 2 a 0 com Lucas Silva e o reestreante Bruno Rodrigues, e viu os donos da casa descontarem de pênalti com Romário, já aos 44 minutos da etapa final. Mais do que a vantagem para o jogo de volta, a partida serviu como um termômetro para o trabalho da comissão técnica.
Superioridade numérica e o controle do meio-campo
A equipe da capital dominou as ações, forçando o Pouso Alegre a se restringir aos contra-ataques na tentativa de explorar eventuais falhas na transição defensiva celeste. O técnico Tite inovou na escalação: formou um quinteto no meio-campo com Lucas Romero, Lucas Silva, Christian, Gerson e Matheus Pereira. A superioridade numérica no setor sufocou o adversário. O grande destaque foi Lucas Silva. O volante, que vinha sendo opção no banco, ditou o ritmo durante os 90 minutos e foi o responsável por abrir o placar.
A estrela de Bruno Rodrigues e a emoção de Villarreal
Outro ponto alto da noite foi a reestreia de Bruno Rodrigues. Após dois anos longe de Minas Gerais, o camisa 20 precisou de pouco tempo para balançar as redes e reviver a comemoração que a Nação Azul se acostumou a ver nas temporadas de 2022 e 2023. O gol, nascido de um belo cruzamento do lateral-direito William, provou que o entrosamento da dupla dos tempos de Cabuloso segue intacto.
Já o lado emocional do jogo, no entanto, ficou por conta de Neisser Villarreal. O jovem atacante colombiano foi substituído no segundo tempo e foi às lágrimas no banco de reservas. Na coletiva, Tite fez questão de blindar o atleta:
“Imagina um garoto que troca de país, vem com a camisa pesada do Cruzeiro, expectativa alta. Vinha fazendo um bom jogo, oportunidades surgiram… mas é da vida. Todo o banco trouxe ele para ficar junto e ele ficou comovido. Compete ao técnico com mais experiência pedir calma e ao torcedor abraçá-lo. É um menino de ouro.”
Resultados incontestáveis e a epidemia do imediatismo
Com a vitória, o Cruzeiro se aproxima da grande final e ganha força para quebrar o jejum do Estadual, que dura desde 2019. O Cabuloso fez uma partida de manual: mesmo fora de casa, foi o dono do jogo.
O resultado dá um respiro importante a Tite. Embora o treinador ainda não seja uma unanimidade nas arquibancadas, os números são teimosos: o Cruzeiro não perde desde o dia 29 de janeiro. Mesmo com o evidente desgaste físico e atuações que oscilam em brilhantismo, o time começa a ganhar o corpo e a alma de seu comandante.
No Brasil, vivemos a epidemia do imediatismo esportivo. Treinadores são demitidos com um mês de trabalho e a falta de tempo hábil obriga profissionais a buscarem soluções simplistas apenas para manterem seus empregos. A saída de Leonardo Jardim foi um golpe sentido, mas o passado precisa ficar no retrovisor.
A impaciência do torcedor é perfeitamente justificável. Quem viveu o longo período de reconstrução e os traumas recentes, como a eliminação na Copa do Brasil de 2025, tem pressa de gritar “campeão”. Mas projetos sólidos exigem respaldo. Tite tem ideias claras, mas precisa de espaço para desenvolvê-las. Parafraseando um velho meme da internet, a mensagem para o momento cruzeirense é uma só: “Torcedores, calma!”.