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Racismo no futebol: A ousadia penalizada e a negligência dos órgãos

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Foto: Eric Verhoeven/Soccrates/Getty Images)

Em partida válida pelo playoff da Champions League, Real Madrid visitou o Benfica em seu próprio território e venceu com um placar magro de 1×0. Mas as manchetes e tabloides tiveram outro tópico para noticiar: uma acusação de fala racista proferida pelo argentino Gianluca Prestianni contra o atacante brasileiro Vinicius Júnior. Portanto, após o que parece ser mais um episódio lamentável de racismo dentro da grandiosa história que Vinicius Júnior está escrevendo no Real Madrid, o mundo do futebol parou para debater o caso. E o que sabemos sobre?

Prestianni afirma que não proferiu qualquer insulto racial, enquanto o árbitro da partida acionou o protocolo antirracismo. Com o término da partida, grandes nomes do esporte se posicionaram em relação ao evento, com jogadores e outros profissionais importantes demonstrando apoio ao jogador e repúdio ao ato do argentino. Enquanto figuras como José Mourinho, José Luis Chilavert e Filipe Luís tiveram declarações polêmicas acerca do acontecimento, sendo que o chileno Chilavert apresentou diversos agravantes na sua fala. Com o cenário montado, chegou o momento de adicionar outra camada: quais as consequências reais para quem age de tal forma?

Este é apenas mais um capítulo de denúncia dentro da vida de Vinicius Júnior, seja no âmbito pessoal ou público. Mas é curioso que, mesmo em palcos televisionados, aconteça com uma frequência assustadora. O argumento de que o jogador é uma persona provocadora tem sido usado como muleta para justificar a prática de ofensas raciais ao ponta brasileiro. Desta vez, o agressor levantou sua camiseta em busca de evitar uma leitura labial, o que apenas favorece toda a narrativa que está sendo investigada pelos órgãos oficiais, como a Uefa.

Aprofundando o tema, chegou o momento de puxar a discussão para outro lado. O esporte é conhecido por proporcionar uma cultura única e um verdadeiro espetáculo, o que dá direito a ousadia e a alegria de seus artistas, os jogadores. Mas em que momento optamos por padronizar estilos de jogos e punir aqueles astros mais ousados, mais desdenhosos? Pois já vimos jogadores como Neymar e Lucas Paquetá serem punidos com cartões devido a dribles interpretados como provocadores. Isso sem contar a limitação que atletas recebem na hora de comemorar e o que engloba o caso de Vini no seu gol contra o Benfica.

Porque marginalizamos a malemolência do esporte, com cartões, punições, proibições e insultos, enquanto atuamos com pouca rigidez em casos reais de desmoralização, como um ato racista que requer pena grave, senão um afastamento preventivo? Porque tamanha negligência, principalmente em competições sul-americanas, se um parcela considerável e relevante dos atletas são vítimas de atos criminosos? Será que dribles mais arrojados tem que ser censurados? Comemorações mais inflamadas precisam ser interditadas? É isto que queremos para o nosso belo esporte?

Enquanto esta castração coletiva dos atos mais encantadores e charmosos do futebol seguir em pleno vapor, o espaço para práticas incoerentes de nossa sociedade segue firme e pouco desencorajada. Falta rigor, falta ação e quem age de má índole precisa entender a consequência de seus atos, pois enquanto seguem impunes, apenas incentiva outros a fazerem o mesmo e a corrente nunca se quebra. É esta a imagem que queremos transmitir para as futuras gerações e é isto que o futebol merece? Se for o caso, preparem a pá de cal.

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