Mais uma vez, o roteiro se repetiu em São Januário. O Vasco da Gama teve a bola, finalizou mais, controlou as ações — e saiu derrotado. Na noite desta quarta-feira (11), o Cruzmaltino foi superado pelo Bahia por 1 a 0 e chegou a apenas um ponto em três rodadas. O sinal de alerta já está aceso.
Os números ajudam a explicar a frustração do torcedor: mais de 20 finalizações contra apenas 8 do adversário, 62% de posse de bola e controle durante boa parte da partida. No papel, domínio. No placar, derrota. Um contraste que tem sido recorrente nos jogos da equipe comandada por Fernando Diniz.
O desempenho, em si, não chega a ser o principal alvo das críticas. O time constrói, ocupa o campo ofensivo e cria oportunidades. O problema está na incapacidade de transformar volume em resultado. Contra Chapecoense e agora diante do Bahia, o Vasco mostrou ser um time frágil defensivamente e com enorme dificuldade para converter as chances criadas.
Essa fragilidade somada à ineficiência são uma combinação perigosa, que ajudam a explicar o momento delicado: apenas uma vitória nos últimos 11 jogos de Brasileirão.
Diniz costuma defender que o desempenho sustenta o trabalho. E há elementos positivos no modelo de jogo. Mas o futebol é movido a pontos. Posse de bola e número de finalizações não entram na tabela. Quando o resultado não vem, ele influencia diretamente o ambiente.
E a impaciência da torcida é consequência direta disso. Isso fica mais evidente quando Philippe Coutinho, camisa 10 e principal nome do elenco, foi vaiado ao deixar o campo — talvez de forma exagerada, especialmente considerando sua boa atuação no clássico contra o Botafogo, mas sintomática. O resultado negativo gera frustração e a frustração gera cobrança.
Hoje, falta ao Vasco também essa sinergia entre arquibancada e campo. O time tenta propor o jogo; o torcedor, cansado de ver o mesmo roteiro terminar em derrota, reage com desconfiança. Essa desconexão pesa.
A diretoria trouxe reforços, é verdade. O elenco foi encorpado. Mas ainda parece faltar algo. Na coletiva, Fernando Diniz afirmou que “os gols vão sair”. A pergunta que fica é: quando?
Até que ponto a diretoria vai sustentar o treinador caso os resultados não apareçam? É preciso ponderar: o Vasco é um dos clubes que mais trocaram de técnico nos últimos anos, e os problemas persistem. A questão, portanto, não parece ser exclusivamente de comando.
Mas no futebol, a corda costuma arrebentar do lado mais fraco. E em São Januário, ela já está bem esticada.