O placar de 130 a 125 contra o Phoenix Suns, na madrugada de 04/02, não contou toda a história, mas confirmou uma tendência: o Portland Trail Blazers perdeu pela sexta vez consecutiva e, mais do que derrotas, vem perdendo identidade e intensidade. O time que abriu janeiro atropelando adversários hoje não consegue sustentar um ritmo, proteger o aro ou controlar os jogos, mesmo quando começa bem, como aconteceu diante dos Suns.
O contraste é gritante. Nos primeiros dez dias do ano, o Portland Trail Blazers emendou cinco vitórias consecutivas, jogando com energia, defesa agressiva e transição eficiente. Venceu Pelicans, Spurs, Jazz e Rockets impondo ritmo e confiança. O time estava em um patamar diferente, havia coerência no sistema e resposta coletiva.
Com o passar dos dias, e o reinado de Splitter começou a desmoronar. Nas últimas seis partidas, são derrotas para Raptors, Celtics, Wizards, Knicks, Cavaliers e Suns e com um fato impossível de ignorar: nas três mais recentes, o time sofreu mais de 125 pontos. Isso não é somente um detalhe estatístico, é quase um sintoma. Defesa que não consegue se comunicar, ajuda atrasada e um time que permite muitos minutos sem reação.
Contra o Phoenix, o roteiro se repetiu. O time da capital do Oregon venceu o primeiro quarto, mas foi engolido no terceiro período (34 a 22), perdeu o controle do jogo e entregou a marca absurda de 17 turnovers.
Mesmo sem Devin Booker, os Suns circularam a bola, puniram erros e jogaram com conforto. E isso diz mais sobre Portland do que sobre Phoenix.
E aqui entra um ponto incômodo, mas necessário de ser pontuado: sem Deni Avdija, o time simplesmente não se sustenta. Os dois jogos sem o recém nomeado All-Star foram um desastre coletivo. Avdija não é só o principal pontuador, ele é o motorzinho dessa equipe, o israelense é o jogador que organiza, equilibra, defende múltiplas posições e dá sentido ao ataque. Sua ausência expôs um elenco que depende demais dele para funcionar.
Thiago Splitter agora ganha dias de descanso, mas também de responsabilidade. Descansar é necessário, claro, mas recuperar o sistema defensivo é urgente. Não dá para aceitar um time que toma 130 pontos com regularidade e ainda aposta que o ataque vai salvar a noite. Essa conta não fecha na NBA. O time ainda está se classificando para o Play-In na décima posição, mas se continuar nesse ritmo não vai dar não.
Os próximos dois jogos contra o Memphis Grizzlies (07/02 e 09/02) serão mais do que partidas de temporada regular serão um teste de caráter e ajuste. O Portland já mostrou, no começo do ano, que sabe competir. A pergunta agora é outra: esse time sabe corrigir os erros ou só sabe empolgar quando tudo encaixa? Sem defesa, não há narrativa que sobreviva. E sem Avdija em quadra, o problema deixa de ser fase e vira estrutural.