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Savarino expõe o caos no planejamento do Botafogo

A saída de Savarino para o Fluminense escancara, mais uma vez, as contradições do planejamento do Botafogo para a temporada de 2026. O clube que, há pouco mais de um ano, celebrava a conquista do Brasileirão e da Libertadores, hoje se vê pressionado por decisões mal explicadas e pela perda de ativos esportivos relevantes, sem que problemas estruturais antigos tenham sido resolvidos.

Negociar Savarino não é apenas abrir mão de um camisa 10 técnico, identificado com o clube e protagonista recente. É um sinal claro de fragilidade institucional. O Botafogo aceita perder um de seus principais líderes técnicos para um rival direto, mesmo após o treinador recém-chegado manifestar publicamente o desejo de contar com o jogador. Quando o pedido do comando técnico é ignorado, o desalinhamento interno fica evidente.

O discurso de oxigenação do elenco e redução da folha salarial não se sustenta diante da realidade. O clube segue convivendo com um transfer ban que limita o planejamento esportivo e, ainda assim, opta por negociar jogadores prontos, sem apresentar soluções concretas para pendências administrativas que travam o futuro.

Há também falha clara na condução do processo. O Botafogo deixou a decisão nas mãos de Savarino, permitiu que a negociação se arrastasse, viu o Fluminense recuar publicamente e, dias depois, aceitou os mesmos termos anteriormente rejeitados. A postura foi reativa, não estratégica. Clube grande não pode agir como figurante no próprio mercado.

O cenário para 2026 é preocupante. O Botafogo reduz custos, abre mão de peças-chave e não apresenta um projeto esportivo consistente. A dificuldade para contratar, somada à manutenção do transfer ban, aprofunda a sensação de improviso e afasta o clube do patamar competitivo que havia alcançado recentemente.

Savarino sai pela porta da frente, com números, títulos e identificação. O Botafogo, por sua vez, fica com uma pergunta incômoda: qual é o plano? Porque vender sem reconstruir, cortar sem reorganizar e negociar sem direção clara não é estratégia. É reação. E reação constante cobra um preço alto no futebol.

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