A final entre Senegal e Marrocos foi um episódio no mínimo atípico e seus bastidores são o principal tempero desta partida. Marrocos chegava a final da Copa Africana de Nações sob suspeita, afinal criou-se uma narrativa de que a seleção foi favorecida pela arbitragem em diversas etapas do torneio, o que gerou antipatia por parte dos torcedores de outras seleções. Então Senegal não era somente o favorito de seus adeptos nesta decisão, era o Davi pronto para enfrentar seu Golias. E com o mundo de olho, veio o pontapé inicial.
Durante os 90 minutos, o destaque da partida era Yassine Bounou. O goleiro do Marrocos fez excelentes defesas e estava garantindo a igualdade no placar. Até que, nos acréscimos do segundo tempo, a barreira foi furada. Em um bate e rebate na área, um jogador marroquino acidentalmente manda a bola para o fundo das redes de seu goleiro. Mas este lance logo foi anulado pelo árbitro da partida que, com auxílio do VAR, determinou falta em Hakimi no decorrer da jogada. E para incendiar ainda mais o clima, pouco segundos depois o mesmo juiz apita um pênalti para a seleção de Marrocos.
A marcação não passou impune pela seleção de Senegal, que optou por demonstrar sua indignação abandonando o campo de jogo. Uma partida que já repercutia pelos seus antecedentes foi inflamada ao máximo por estes acontecimentos e, mesmo assim, ainda teriam algumas camadas adicionais. Sadio Mané, craque e camisa 10 de Senegal, foi atrás de seus jogadores, os convencendo a terminar a partida independente do resultado. E a ação do jogador foi eficaz. O time estava a disposição em campo, pronto para enfrentar o pênalti tão polêmico. E antes da batida, mais uma trama foi incrementada a esta novela.
O goleiro Yehvann Diouf, reserva de Senegal, possuía uma toalha que continha todas as informações sobre os batedores de Marrocos. Mas para chegar em Édouard Mendy, Diouf teve que brigar. Alguns jogadores marroquinos interviram e tentaram impedir a passagem do reserva, ou da toalha. Falharam em ambos os casos e Mendy estava com sua ajuda a mãos. Na hora da batida, o craque Brahim Díaz surpreendeu todos os espectadores com uma cavadinha. Para infelicidade do cobrador, ele não surpreendeu Mendy.
O pênalti tão polêmico foi parar nas mãos do adversário e pôs fim aos “90” minutos mais extensos da história da competição. E a prorrogação reservaria um pouco mais de emoção. No princípio do primeiro tempo extra, Pape Gueye recebeu boa bola de Mané e soltou um foguete para Bounou apenas apreciar. Com este gol, Senegal definiu a parada e impediu que Marrocos colocasse fim a um jejum tortuoso de mais de 50 anos. Brahim Díaz foi visto emocionado ao final do confronto e Mané, que já possuía grande reconhecimento dentro e fora do esporte, recebeu os louros por este título tão impressionante.
Estas histórias dizem muito sobre o que é o esporte, a magnitude que ele possui e principalmente o papel do líder dentro dele. Mesmo que a reclamação seja válida e mesmo que o Senegal fosse prejudicado com a conversão do pênalti, Mané escolheu batalhar no gramado, onde a recompensa foi uma das histórias mais icônicas deste torneio tão tradicional e renomado.