A venda da SAF do Vasco atingiu um nível de maturidade inédito desde a ruptura com a 777 Partners em maio de 2024. Ao confirmar que as negociações com um investidor, apurado como Marcos Faria Lamacchia, já superaram quatro fases de validação, Pedrinho separa o que é “fogo de palha” do que é dinheiro real. O dirigente foi enfático ao desqualificar sondagens anteriores, como a do grego Evangelos Marinakis, classificando-as como jogadas de marketing (“jogar para a galera”). Agora, o interlocutor é discreto, herdeiro do fundador do Banco Real e possui capital independente da Crefisa, o que blinda a operação de conflitos diretos com o Palmeiras.
O otimismo de Pedrinho não se baseia apenas na solidez do comprador, mas na fragilidade do vendedor minoritário. A estratégia para lidar com a A-CAP (seguradora que assumiu os ativos da 777) é puramente aritmética: o passivo e o prejuízo gerados pela gestão americana são superiores aos valores que eles efetivamente aportaram. Na visão de São Januário, isso torna a saída da seguradora uma negociação “simples”, já que eles têm pouco poder de barganha diante do rombo financeiro deixado.
Com 30% das ações no associativo e o restante dividido entre a posse da 777 e a arbitragem, a entrada de Lamacchia significaria a pacificação política e financeira do clube. O fato de o investidor acompanhar o processo desde a recuperação judicial indica que não se trata de uma aventura, mas de uma aquisição estruturada de um ativo em baixa (distressed asset) com alto potencial de valorização.