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Santos adia votação de reforma estatuária em meio à disputa presidencial

Na quarta-feira (4), o Conselho Deliberativo do Santos anunciou por meio de nota oficial o adiamento da Assembleia Geral que votaria a reforma do Estatuto Social do clube. Originalmente prevista para este domingo (8), a nova data da Assembleia será definida após as eleições presidenciais do clube. 

De acordo com a nota oficial, o Conselho Deliberativo busca preservar a igualdade de condições entre candidatos e evitar conflitos nos prazos de inscrição das chapas. Segundo o Estatuto vigente, o prazo de inscrição estabelecido termina em 22 de novembro, enquanto a reforma a ser votada poderia antecipar o prazo para 12 de novembro.

No comunicado oficial aos associados do clube na terça-feira (3), a Comissão de Estatuto santista apresentou por e-mail algumas das principais mudanças da reforma. Dentre elas, a alteração dos percentuais de participação societária em uma eventual Sociedade Anônima do Futebol (SAF) foi a primeira a ser destacada. 

O Estatuto vigente permite que investidores externos detenham até 49% de participação em uma eventual SAF, enquanto o restante de 51% corresponde à participação mínima exigida do Santos. De acordo com a comissão do clube, o novo estatuto permitiria que a participação mínima do clube fosse de 20%, enquanto investidores poderiam deter até 80%. O comunicado também mostra a avaliação da comissão de que a exigência atual de participação majoritária do Santos teria afastado potenciais investidores. 

Uma eventual aprovação do novo estatuto não transformaria automaticamente o Santos em uma SAF. Para isso ocorrer, deverá ser apresentada a proposta oficial ao Conselho Deliberativo com antecedência mínima de 30 dias da reunião destinada à sua análise. Em caso de aprovação,  a proposta passaria pela Assembleia Geral respeitando uma antecedência mínima de 60 dias para sua realização. Assim a decisão final caberia aos associados por meio de votação na própria Assembleia. Até o momento, nenhuma proposta oficial foi anunciada publicamente pelo clube. 

Outra alteração destacada no comunicado é a substituição do atual modelo de Comitê de Gestão, composto por cinco integrantes, por uma Diretoria Executiva dividida em sete áreas com diretores indicados pelo presidente. 

O comunicado também destaca a possibilidade de remuneração do presidente e do vice-presidente dentro do novo Estatuto. A remuneração dos cargos dependeria da dedicação integral dos dirigentes ao clube e da autorização do Conselho Deliberativo. O valor máximo se basearia em  até 70% do teto remuneratório do funcionalismo público federal para o presidente, e até metade desse limite para o vice-presidente. 

Em meados do ano, o Conselho Deliberativo discutiu propostas de alteração do Estatuto Social santista. A ocasião ficou marcada pelos protestos realizados por torcidas organizadas em frente à Vila Belmiro, durante a discussão, e pelas propostas iniciais que estabeleciam critérios mais restritivos para candidaturas aos cargos políticos do clube. Entre as mudanças discutidas estavam a exigência de dez anos de associação para concorrer a uma vaga no Conselho e a exigência de três mandatos como conselheiro para disputar a presidência. Mas as propostas não foram incorporadas à versão final da reforma. 

Com os bastidores administrativos do clube movimentados, pré-candidatos à presidência se reuniram na terça-feira (3) com o presidente do Conselho, Fernando Akaoui, para manifestar apoio ao adiamento. Na mesma ocasião, parte da torcida também começou a se mobilizar nas redes sociais. Após a confirmação do adiamento, o assunto repercutiu online. O jornalista Pedro La Rocca associou, em publicação nas redes sociais, a decisão à mobilização de torcedores e à atuação dos pré-candidatos. 

Em meio à movimentação política santista, a atual gestão de Marcelo Teixeira anunciou nesta sexta-feira (6) a nomeação de Neymar pai como CEO do clube. Na quinta-feira (5) anterior ao anúncio, o pré-candidato Wladimir Mattos retirou sua pré-candidatura à presidência para integrar, como candidato a vice-presidente, a chapa do pré-candidato Ivan Luduvice a pouco mais de um mês das eleições.  

O próximo marco do calendário político santista é a eleição presidencial de 12 de dezembro. Até o momento, se apresentaram como pré-candidatos Maurício Maruca, José Renato Quaresma e Ivan Luduvice, enquanto Marcelo Teixeira esboçou a intenção de disputar a reeleição. Por sua vez, a votação da reforma permanece sem nova data definida e o Estatuto vigente segue em vigor. 

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