Vasco supera tabu e ganha do Boca Jr na Bombonera
Após anos afastado das decisões continentais, o torcedor vascaíno voltou saborear uma grandes noite de CONMEBOL. Contudo, parte da torcida era vítima de uma pergunta incômoda: esta equipe tem capacidade para sustentar a pressão de uma semifinal contra o Boca Juniors?
A resposta foi dada na véspera do jogo. Desde a chegada da caravana vascaína à Argentina, o clima de festa foi contagiante, se tornando quase uma atração turística a parte em Buenos Aires. Com direito à produção de memes, como a recepção a um casal de noivos no hotel do time e a “invasão” de um bar local com os cantos de arquibancada. Essa sensação de reencontrar grandes palcos serviu de blindagem: ajudou o torcedor a confiar e a esquecer, por alguns instantes, quão traiçoeiro pode ser um jogo em solo argentino.
Por outro lado, o peso da camisa adversária se deve o respeito. Há três anos, o Boca estava no Maracanã disputando a final da Libertadores e, no ano passado, deu trabalho no Mundial de Clubes. Entretanto, a reformulação no elenco cobrou seu preço: na libertadores, uma fase de grupos decepcionante resultou na terceira posição no grupo do Cruzeiro. Os argentinos se reergueram e chegam na semifinal ostentando 17 jogos de invencibilidade na temporada. Também é verdade, chegam desfalcados de nomes importantes como:
- Marchesín
- Paredes
- Tomás Aranda
- Tomás Belmonte
- Velasco
Diante desse cenário, o manual do visitante sugere cautela: retranca, linhas baixas e a aposta em transições velozes para conter o abafa inicial que os donos da casa costumam impor. O Vasco, contudo, recusou o papel de mero espectador e desenhou uma estratégia ousada para assumir as rédeas da partida — um plano meticuloso estruturado em torno da dupla Adson e Lescano.
Nesses jogos, o comum para o time visitante é não arriscar. Iniciar com cautela, linhas baixas e ataques rápidos em transição para conter a pressão inicial que os donos da casa costumam impor. O Vasco, contudo, desenhou uma estratégia para assumir o controle da partida, um plano estruturado em torno da dupla Adson e Lescano.
O atacante argentino Facundo Colidio é o titular, mas não pode jogar pois já tinha sido inscrito pelo River Plate na competição, portanto a opção técnica por Adson alterou a mecânica ofensiva. Em vez da imposição física e técnica do camisa 9, o Vasco ganhou um ponta de drible e passes curtos. Mais do que isso: para potencializar o jogo dele, o treinador o tirou da lateral, escalando-o por dentro, como um clássico “camisa 10”, ao lado de Lescano.

A dupla deu um show de movimentação, trocas de passe e paciência na meio campo. Lescano recuava até a primeira fase de construção para dar fluidez com toques de primeira e inversões de jogo. Adson desestabilizou a defesa do Boca ao abandonar o corredor direito e atacar o espaço nas costas dos volantes. A estrutura fluia com um quadrado no meio (Sosa, Thiago Mendes, Lescano e Adson), enquanto Bruno Duarte auxiliava PH na ala direita e Andrés Gómez buscava o um contra um pela esquerda.
Com um primeiro tempo impecável, o Vasco é premiado com o gol. cruzamento de Gómez e cabeceio certeiro de Adson para o fundo da rede. O torcedor cruzmaltino foi para o intervalo pensando no segundo gol, tamanha confiança e domínio do primeiro tempo.
O solo argentino, porém, é um campo traiçoeiro, principalmente para os brasileiros. Na etapa final, o Boca Juniors subiu a pressão, adiantando os alas sobre os zagueiros vascaínos sufocou a saída de bola. O trunfo de primeiro tempo: passes curtos e tabelas de Lescano e Adson, já não funcionava mais. Forçando passes longos e imprecisos, o Vasco perde o controle do jogo.
Em uma dessas saídas precipitadas, Gómez disputa no ombro a ombro, perde a bola e comete falta no grande círculo. No calor do lance, empurrou o árbitro, recebeu o segundo cartão amarelo e foi expulso. De herói a vilão em minutos.

Com um a menos, Pedro Emanuel fez substituições para reforçar a defesa e atraiu o time argentino. O final teve tudo que um mata-mata de sul-americana pede: bola na trave, cortes na pequena área, reclamações de pênalti e o Vasco taticamente desorganizado sobreviveu por pouco. Vale destacar o desempenho impecável de Robert Renan e Cuiabano nos minutos finais.
O torcedor que foi à Argentina volta feliz e a massa vascaína aguarda a próxima semana para fazer história no Maracanã e empurrar o gigante da colina para final da sul-americana.

A caravana cruzmaltina volta ao Rio tranquila. A vantagem foi mantida e, na próxima semana, a massa vascaína promete lotar o Maracanã para empurrar o Gigante da Colina rumo à grande final.
