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O Utah Jazz indicou que quer sair da reconstrução. Será que o próximo passo para voltar aos playoffs acontece nesta temporada?

Os últimos anos estão sendo difíceis para os poucos torcedores do Utah Jazz no Brasil, minha pessoa incluída. A franquia tem pouco apelo até nos Estados Unidos, mas isso não equivale a irrelevância, na verdade muito pelo contrário. Apesar de nunca ter sido campeã, o Jazz chegou as finais da NBA duas vezes, tem a sexta melhor porcentagem de vitórias na história da liga e jogou os playoffs por 18 anos consecutivos, uma das maiores marcas na história.

Os últimos anos da franquia não estão sendo gloriosos. O Jazz foi a melhor equipe da Conferência Oeste em 2021, mas a equipe ruiu logo depois. O glamour dos playoffs não chega à Utah desde 2022, quando a equipe caiu no primeiro round. Depois, Rudy Gobert e Donovan Mitchell foram trocados e o time entrou em processo de reconstrução.

Este era o elenco do Jazz na temporada 20-21, a melhor temporada da equipe desde os tempos de Karl Malone e John Stockton. Nenhum desses jogadores está presente na equipe atual, tampouco o treinador Quin Snyder.

Mas, de tanto cavar em procura do fundo do poço, a equipe achou peças que se tornaram relevantes no contexto do “tank”. Lauri Markkanen se tornou um dos melhores pontuadores da liga e Keyonte George despontou como um bom armador, principalmente na fase ofensiva. A equipe entrou na temporada passada ainda na ideia de ficar no fundo da tabela, mas a performance dos jogadores podem ter feito a diretoria, encabeçada por Danny Ainge, mudar de ideia.

Em fevereiro, enquanto vários candidatos ao título faziam movimentações para melhorar o elenco antes dos playoffs, o Jazz também se movimentou. Mesmo longe de ser candidato, a equipe trocou por Jaren Jackson Jr., eleito defensor do ano em 2022-23 e que estava no Memphis Grizzlies, outra franquia caindo aos pedaços. Uma troca estranha, por serem entre dois times no mesmo bolo, mas as intenções são totalmente diferentes.

O Utah Jazz fez a troca pensando em subir. Com dois ótimos pontuadores e um defensor conceituado, a equipe sonha em voltar aos playoffs pela primeira vez desde quando ainda estávamos usando máscara para sair de casa. Com isso em mente, a equipe selecionou Darryn Peterson com a segunda escolha geral do draft. O jogador teve média de 20 pontos no college basketball e é considerado um “combo guard”, termo para explicar um jogador que tem características do point guard (armador) com o shooting guard (ala-armador). Mesmo com tudo isso, ainda existe uma pergunta muito importante a se fazer: é o suficiente?

Darryn Peterson foi a segunda escolha do draft de 2026, realizado em junho. O ala-armador saiu da universidade de Kansas, que produziu jogadores como Wilt Chamberlain, Paul Pierce, JoJo White e Joel Embiid.

A equipe contará com veteranos como Jusuf Nurkic e Josh Okogie, além de esperar desenvolvimento de Ace Bailey, calouro que criou polêmica ao “vetar” o Jazz antes de ser escolhido pela equipe no ano passado. O jogador vai para o segundo ano na NBA e pode deixar o time ainda mais perigoso se a evolução acontecer como esperado.

Mesmo assim, a competição na Conferência Oeste é muito forte. Um elenco jovem pode ser a surpresa na temporada 2026-27, mas a competição na temporada promete ter muitos candidatos. Thunder, Spurs, Timberwolves, Nuggets, Rockets e Lakers são esperados nos playoffs, sem contar a concorrência dos veteranos de Golden State e os jovens de Phoenix e Portland, que jogaram a última pós temporada. Nessa brincadeira, você já percebeu que temos mais times do que vagas.

O caminho para os playoffs é difícil, mas se for necessário escolher o principal candidato a surpresa na Conferência Oeste, eu apontaria o Utah Jazz. Acho que a equipe tem peças interessantes, por mais que sejam ignoradas ou desconhecidas. No entanto, a competição continua muito forte e o cenário mais realista seria uma melhora, mas que no máximo colocasse a equipe no play-in. Cerca de 35 vitórias, em um palpite prudente.

É clichê falar que “tudo pode acontecer”, mas sabemos que é verdade. Times considerados melhores que o Jazz também são considerados incógnitas e podem desempenhar pior do que esperamos. Será que o estado de Utah pode criar esperanças de ver a equipe nos playoffs novamente?

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