Dorival se desculpou com a torcida, mas e os jogadores?
Técnico assume erro de comunicação ao falar sobre suposta pressão causada pelo Morumbis, porém mantém a exposição aos atletas

O São Paulo conseguiu uma importante vitória por 1 a 0 em casa contra o Internacional, com gol marcado por Calleri, de pênalti. A atuação não agradou, mas, em um confronto direto, os três pontos são tudo que realmente importa. Entretanto, acima de tudo, a partida foi marcada por um protesto diferente e criativo do torcedor tricolor.
Sem ultrapassar nenhuma linha de violência ou falta de respeito, as arquibancadas ficaram silenciosas durante os primeiros 15 minutos de jogo e foram levadas faixas com frases como “Silêncio, estamos jogando”. Críticas direcionadas à infeliz fala de Dorival Junior após a eliminação em casa pela Copa Sul-Americana, no empate com péssima atuação diante de um limitado Boca Juniors.
Quando perguntado a respeito de um suposto nervosismo dos jogadores, o técnico deu entender que o apoio da torcida, em vez de incentivar a equipe, acabou aumentando a pressão sobre quem entrou em campo. Em outras palavras, quem foi ao Morumbis cantar e empurrar o time teria, na realidade, atrapalhado, sob esta ótica.
O protesto do torcedor foi firme e resistiu ao gol marcado ainda dentro dos 15 minutos iniciais, em que se prometeu que haveria silêncio no estádio. E, ao final da partida, Dorival foi questionado sobre sua fala e a reação da torcida:
O maior patrimônio que os clubes possuem são suas torcidas. A do São Paulo em especial, pelo que vem fazendo pelo clube. Reconheço que estávamos em débito com a torcida. Em momento nenhum eu imaginei, na resposta daquela pergunta, uma ligação neste sentido. Que o movimento que o torcedor havia feito desestabilizou nossa equipe. Não! Apenas falei que foi uma partida em que emocionalmente nós não estávamos dentro de uma normalidade.
A resposta do treinador do São Paulo fez a média que precisava ser feita com a torcida, de fato. Porém um problema não foi resolvido. Ao ressaltar o nervosismo de “alguns jogadores” sem dar nome aos bois, Dorival colocou em xeque todos os atletas envolvidos na partida de volta contra o Boca. Ou, ao menos, todos os titulares. E ao repetir que o lado emocional foi um fator negativo e novamente não citar para quem, a exposição a todo o elenco segue.
Talvez não haja como voltar atrás sem causar algo ainda pior, mas, para um gestor reconhecido pelo bom trato com os comandados, faltou cuidado e possivelmente um pouco de habilidade em lidar com a situação sem colocar o elenco todo na fogueira. Ao menos, aparentemente, os jogadores não levaram para o pessoal, mas ainda pode haver mais desdobramentos da situação em um futuro próximo.
