Palmeiras reformula meio-campo com Marlon Freitas e aposta ousada em Luis Pacheco
O Palmeiras reformula meio-campo para 2026 assumindo riscos calculados que expõem a filosofia de Abel Ferreira: priorizar a polivalência em detrimento da especialização. A saída de Aníbal Moreno para o River Plate deixou uma lacuna de combatividade que a diretoria tenta preencher não com uma reposição idêntica, mas com uma mudança de perfil. A chegada de Marlon Freitas por R$ 32 milhões injeta experiência e liderança, atributos que o ex-botafoguense carrega, mas não resolve sozinho a ausência de um “camisa 5” clássico de marcação.
A estratégia alviverde para o setor é um quebra-cabeça que depende do encaixe imediato de peças distintas. Marlon chega com status de titular, mas sua característica primária é a de segundo homem, com boa saída de bola e lançamento, e não a destruição de jogadas. Isso indica que Abel pretende soltar Andreas Pereira para a função de camisa 10, descentralizando a criação. No entanto, essa movimentação cria um vácuo na proteção à zaga que sobra para Emiliano Martínez e, surpreendentemente, para a base.
É aqui que entra a aposta mais arriscada do planejamento. Ao puxar Luis Pacheco, de apenas 17 anos, para a pré-temporada profissional, o Palmeiras sinaliza que a solução para a volância pode ser caseira. O garoto, blindado por uma multa de 100 milhões de euros, tem físico e potencial, mas jogar a responsabilidade de ser a sombra imediata de Martínez nas costas de um adolescente que nem jogou a Copinha é um teste de fogo. Lucas Andrade, técnico do sub-20, prega cautela ao afirmar que o ciclo de formação do jovem ainda não acabou, mas a necessidade do time principal ignora o tempo biológico.
Com Lucas Evangelista ainda no estaleiro se recuperando de cirurgia, o setor inicia o Paulistão contra a Portuguesa em estado de alerta. A diretoria aposta todas as fichas que a “fome” de Marlon Freitas e o talento bruto de Pacheco sustentarão a competitividade. Se a química não bater rápido, o clube será obrigado a voltar ao mercado, admitindo que versatilidade tem limite e que um time campeão precisa de especialistas para fazer o trabalho sujo.
