Super Peixástico! Santos vence Cruzeiro por 2 a 1, em um placar que deveria ter sido mais elástico
Quem olhou apenas o 2 a 1 no placar da Vila Belmiro na noite deste sábado (12) pode achar que Santos e Cruzeiro fizeram um confronto equilibrado. Mas te falar que é uma mentira pura.
O Peixe DOMINOU, mas não MATOU!
Sob forte chuva, o resumo da partida foi que o time de Cuca deu uma verdadeira aula de futebol, amassou a Raposa do começo ao fim e fez uma das melhores atuações da temporada. Mas o futebol não tolera desacerto na hora de concluir: por falta de capricho e pela exibição monumental do goleiro rival, o Peixe transformou um massacre desenhado em um sofrimento totalmente desnecessário nos acréscimos.
Como foi o primeiro tempo:
Confesso que, quando saiu a escalação inicial, o torcedor santista ficou com um pé atrás. Cuca escalou o time com três zagueiros(sendo um deles, o lateral Igor Vinicíus) e colocou Rodinei avançado como ala. Parecia loucura, mas na prática foi um nó tático. O Santos dominou os espaços, sufocou a saída de bola cruzeirense e engoliu o adversário desde o primeiro minuto. Everton Cebolinha, fazendo sua estreia, infernizou a defesa mineira pela esquerda, enquanto o meio-campo ditava o ritmo com autoridade.
O primeiro gol saiu aos 27 minutos: Bontempo e Cebolinha costuraram a jogada, a zaga rebateu e Rollheiser bateu de primeira para abrir o placar. Pouco depois, aos 31, Rodinei apareceu pelo lado direito e cruzou fechado; o zagueiro Fabrício Bruno tentou cortar e mandou contra a própria meta.
O volume ofensivo do Santos na etapa inicial foi assustador. O time acumulou finalizações, escanteios e trocas de passes no campo de ataque, criando chances claras em série e acuando o Cruzeiro no seu próprio campo defensivo.

Como foi o segundo tempo:
No segundo tempo, Cuca mexeu na estrutura com inteligência. Rodinei recuou para a lateral direita e Igor Vinícius fez a lateral esquerda. A alteração manteve o time seguro e postado, mantendo o controle total da partida. O Santos continuou criando oportunidades em sequência com Rony, Bontempo e Rollheiser, mas esbarrou no mesmo problema de sempre: a falta do homem do último toque.
Nesses momentos, fica claro como esse time sente a falta de Gabigol em campo. Presente apenas no camarote ao lado de Neymar e Coutinho, o atacante fez falta dentro da grande área para transformar em gol a montanha de chances criadas. Com ele em campo, a história teria sido outra e o placar refletiria o baile que foi a partida.
Se o placar não virou goleada no apito final, a responsabilidade é de Otávio. O goleiro do Cruzeiro foi um gigante sob as traves ao longo dos 90 minutos: registrou 8 defesas no total, sendo 3 em chutes de dentro da grande área, além de dar 2 socos na bola para aliviar a pressão santista. Pela métrica de gols esperados, a atuação de Otávio evitou cerca de 0,65 gols da equipe paulista. No trabalho com os pés, demonstrou precisão quase impecável, acertando 15 dos 17 passes (88%) e mantendo 100% de aproveitamento nas saídas no seu próprio campo (15/15), somando 31 ações com a bola no total.
O milagre de Gabriel Brazão
Se o ataque vacilou em matar a partida e o goleiro rival fechava o gol, lá atrás Gabriel Brazão protagonizou o lance da noite. Aos 12 minutos da etapa final, Matheus Pereira acertou uma cabeçada firme, à queima-roupa, no canto. De forma inacreditável, Brazão se esticou todo e tirou uma bola que já havia passado por ele, fazendo a bola ainda tocar na trave antes do alívio.
Uma intervenção antológica, com plástico e reflexo semelhantes à histórica defesa de Gordon Banks contra Pelé na Copa de 1970.
E como quem não faz leva, o Cruzeiro descontou no fim com Matheus Pereira e por pouco não empatou uma partida em que foi inteiramente dominado.
Rollheiser dá o tom e mostra quem manda no meio-campo
Se o Santos jogou solto e criou tanto, grande parte desse mérito passa pelos pés de Benjamin Rollheiser. O argentino foi o dono do jogo. Além de marcar o gol que abriu o caminho para a vitória, ele foi o grande regente ofensivo do Peixe, gerando 0.48 de xG em finalizações e incríveis 0.69 de xA em chances criadas.
Rollheiser somou 94 ações com a bola e distribuiu impressionantes 6 passes decisivos, mantendo um aproveitamento de 87% nos passes (52/60) ,número que ganha ainda mais valor considerando que acertou 39 de 47 passes no campo adversário (83%). O argentino ainda buscou o jogo em velocidade, acumulando 29 conduções de bola, percorrendo mais de 312 metros carregando a pelota e conseguindo 6 conduções progressivas para quebrar as linhas do Cruzeiro.
Defensivamente e no combate direto, o camisa 10 também não se omitiu: venceu 10 duelos no chão, conseguiu 5 recuperações de bola, efetuou 2 desarmes e 1 interceptação, coroando uma exibição completa e muito acima da média.
Vitória incontestável, mas o alerta deve seguir ligado
O Santos chega aos 35 pontos, engata o terceiro triunfo seguido e começa a olhar com mais tranquilidade para a tabela de classificação. A evolução tática sob o comando de Cuca é nítida, assim como o ganho de intensidade nas alas e a rotação no meio-campo.
Contudo, fica a lição amarga: no Campeonato Brasileiro, dar aula de futebol e acumular chances perdidas é jogar contra o próprio patrimônio. Se contra o Cruzeiro o susto nos acréscimos não custou os três pontos, em jogos eliminatórios (como na Sul-Americana na próxima semana) esse tipo de desperdício costuma ser fatal.
O Peixe tem futebol para evoluir muito mais, mas precisa aprender urgentemente a liquidar seus adversários quando tem a faca e o queijo na mão.
